L 1 2Cr 36, 14-16. 19-23; Sl 136 (137), 1-2. 3. 4-5. 6 L 2 Ef 2, 4-10 Ev Jo 3, 14-21 ─ No Domingo IV da Quaresma (B)
Há oito dias, Jesus apareceu como “subversivo” ou “revolucionário” junto do templo de Jerusalém, quebrando aquele “fosso” comercial que impedia o povo de prestar o verdadeiro culto a Deus. Imagino que depois de episódios como este, como foi o caso da sua presença na sinagoga de Nazaré, Jesus tivesse de se “esconder”, seguindo o seu caminho.
Para alguns, o seu escondimento aparente é sinal de paz, mas para outros, como Nicodemos, é a oportunidade para, na noite física ou da alma, ir à procura da verdadeira Paz que está em Jesus. O ministério público de Jesus é um contínuo arrebatamento, descendo, sem pecar, até onde nós descemos, para dali nos elevar. Foi capaz de ir à sua terra natal, correndo o risco de não ser bem acolhido; pegou em chicotes para expulsar os vendilhões; escondeu-se na noite de forma a Nicodemos poder encontrar-se com Ele; desceu à confusão de Cafarnaum… Colocar-se-á ao nível de Dimas, o bom ladrão, para o justificar e levar para o Paraíso.
Neste dia, entre sexta-feira e sábado, a Igreja no mundo inteiro está a viver com o Papa Francisco as “24 HORAS PARA O SENHOR”. Esta e outras iniciativas são oportunidades para acordarmos o olhar do coração, que, de vez em quando, se deixa desviar paras atrações do anjo do mal, que se mascara de bem, e de nos deixarmos guiar pela luz para a prática das boas obras. A prova da fé está no saber esperar e amar. Conforme se pode verificar um fosso entre o que se pratica no interior das igrejas ao domingo e a nossa vida social prática, também se pode, por vezes, verificar uma distância entre o nosso viver exterior e o nosso “crer” interior. Para ser um verdadeiro acolher do projeto de Deus a nossa respeito, terá de ser um querer afetivo e eficiente.
O ponto de partida terá de ser sempre o regresso a Deus. O ser humano, sozinho, não pode superar-se. A imagem e semelhança de Deus que o pecado escurece só poderão ser restauradas através do voltar o olhar para o protótipo que é o próprio Deus. Por isso, a necessidade da penitência, seja no Sacramento, seja nas propostas quaresmais da oração, do jejum e da esmola.
O povo presente nas Crónicas foi para o exílio sem querer, mas por causa dos seus pecados. O povo da nova aliança vai para o deserto por querer, sabendo que ali poderá ser libertados dos seus pecados pela graça do encontro com “o seu primeiro amor” (Papa Francisco).
