L 1 2Rs 5, 1-15a; Sl 41 (42), 2-3; 42, 3. 4; Ev Lc 4, 24-30
A vida de um agente pastoral ou de um missionário é, por vezes, mais bem compreendida, e o seu testemunho aceite, por desconhecidos que o contactam pela primeira vez e, na sequência, acompanhados no caminho do discipulado de Jesus Cristo. Os que buscam a aproximação a Jesus através de irmãos para se superarem e, a partir de Cristo, viverem segundo a sua lógica divina, não nos procuram por nós, mas por Ele e a sua missão. Os que esperam de nós, seus discípulos, sinais extraordinários que provem a Sua presença, não o buscam a Ele, mas a si próprios, sedentos de poder. A busca de milagres pode ser incompatível com o anúncio do Reino de Deus. O verdadeiro milagre é efeito colateral do acolhimento e vivência do Evangelho de Jesus.
Assim o garante o Papa Francisco:
Se procuramos milagres, não encontraremos Jesus. Aqueles que procuram uma fé feita de poder e de sinais exteriores não, eles não encontrarão. Encontrá-l‘O-ão apenas aqueles que aceitam os seus caminhos e desafios sem queixas, sem suspeitas, sem críticas nem caras feias. Jesus, por outras palavras, pede-nos que O acolhamos na realidade quotidiana que vivemos, na Igreja de hoje.
Papa Francisco
Os conterrâneos de Jesus, logo após terem escutado que a profecia de Isaías ─ O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres… (citado em Lc 4,18-19) ─ se cumpria na sua Pessoa viveram um misto de admiração e, ao mesmo tempo, sentindo-se ameaçados, uma vez que Jesus era seu conterrâneo. Era nítida a dúvida ou descrença sobre a Sua origem divina.
Ora a revelação de Deus na encarnação de Seu Filho jamais foi para nos diminuir, pelo contrário: para nos restaurar e elevar. Mas isso implica um caminho e um estilo de vida, mais do que um status quo. Não faltam nas nossas dioceses, paróquias e movimentos quem procure ligações e conhecimentos para se mostrar impactante. No final, por esta via, o centro poderá estar vazio de Cristo: ou porque lá O não colocámos ou porque Ele mesmo, passando por ali, seguiu o seu caminho. Hoje precisamos, também, de gestos assim, em vez de ações imperialistas. O caminho inédito aberto por Jesus é feito de ações de testemunhos em cadeia, não de elos triunfalistas impenetráveis.
Porque é que Jesus continua a atrair alguns e a dececionar muitos? Não será porque Ele veio para instaurar um mundo novo? Porque Ele nos provoca com a proposta de um estilo de viver que desinstala das seguranças a que nos habituámos facilmente.
A primeira leitura informa-nos do que é preciso fazer para não cairmos em atalhos enganosos, nem em círculos viciosos, mas na via terapêutica da verdadeira fé, do testemunho que gera testemunhos. Ou: como nos banharmos 7 vezes no rio do amor de Deus?
1º ─ Ter presente a situação que nos assola… vamos até Deus partindo da realidade que somos ou sofremos.
2º ─ Estar atento… à voz das testemunhas de Deus.
3º ─ Por-se a caminho… ao encontro de mediadores de que Deus se serve.
4º ─ Ser resiliente… diante das contrariedades e dos impacientes.
5º ─ Ser obediente… aos procedimentos de Deus, por mais que nos pareçam humanos.
6º ─ Ser perseverante… na oração dialogante.
7º ─ Ser crente… na esperança de que se realizem as promessas de Deus.
