navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 Gn 9, 8-15; Sl 24 (25), 4bc-5ab. 6-7bc. 8-9 L 2 1Pd 3, 18-22 Ev Mc 1, 12-15 ─ No Domingo I da Quaresma (B)
Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma

Na primeira leitura deste 1º Domingo da Quaresma está bem patente a relação do ser humano e os outros seres vivos dentro da aliança de Deus. Tem razão o Papa Francisco, ao escrever-nos por ocasião do Dia Mundial do Doente, que cuidar do doente significa, antes de mais nada, cuidar das suas relações, de todas as suas relações: com Deus, com os outros – familiares, amigos, profissionais de saúde –, com a criação, consigo mesmo. De facto, é o próprio Deus a declarar a sua Aliança com um sinal e uma ação irrevogáveis, ao dizer: Sempre que Eu cobrir a terra de nuvens e aparecer nas nuvens o arco, recordarei a minha aliança convosco e com todos os seres vivos e nunca mais as águas formarão um dilúvio para destruir todas as criaturas.

Na pregação de Pedro vemos a relação entre o dilúvio e o Batismo. Este é o sinal da Nova Aliança instaurado por Jesus Cristo, como diz Pedro, de uma só vez pelos pecados… para nos conduzir a Deus.

O Evangelho mostra-nos um “virar de página” entre o Antigo e o Novo Testamentos, com a sequência Batismo no Jordão, o “estágio” no Deserto e, depois de João ter sido preso, a atividade missionária de Jesus. Depois de vencer as tentações no deserto, Jesus perfila-Se no caminho da tradição humana para ali, sob o Espírito de Deus, instaurar a nova e definitiva Tradição da qual depende a nossa Salvação.

Atenhamo-nos a considerar o deserto: para o crente que caminha para a Páscoa, volta a ser, na quaresma, o lugar do primeiro amor. Para entrarmos nele, convém não levarmos muitas coisas e, sobretudo, desapegarmo-nos de tudo o que nos impede de percebermos e de termos Deus como guia. Como um esposo, atrai-nos novamente a Si e sussurra ao nosso coração palavras de amor. Não é um caminho abstrato, mas concreto, em que se convida a responder a duas perguntas: Onde estás? e Onde está o teu irmão?

Inspirados pelo venerável D. Tonino Bello, podemos pensar que para que esta caminhada se transforme em “voo”, precisamos deixar que o Senhor nos percorra o nosso ser da cabeça aos pés:

Queridos, cinzas na cabeça e água nos pés. Entre estes dois rituais, o caminho para a Quaresma é suave. Uma estrada, aparentemente, pouco menos de dois metros. Mas é muito mais longo e mais cansativo. Porque é sobre começar da própria cabeça para chegar aos pés dos outros. Quarenta dias de Quarta-feira de Cinzas à Quinta-feira Santa não são suficientes para atravessar. Leva uma vida inteira, o tempo em que a Quaresma quer ser a redução em escala.