L 1 Lv 13, 1-2. 44-46; Sl 31 (32), 1-2. 5. 7 e 11 L 2 1Cor 10, 31– 11, 1 Ev Mc 1, 40-45
No VI Domingo do Tempo Comum (B)
E Dia Mundial do Doente
A aproximação ousada e crente do leproso e o “quero” imediato de Jesus quebram, de uma vez por todas, o “muro” levantado pela prática do Livro do Levítico, extrapolada muito para além do que foram os motivos válidos que levaram Moisés e Aarão, inspirados pelo Senhor, a impor aquelas leis sanitárias para livrar da peste da lepra.
Para além do afastamento físico, aos doentes da lepra foi sendo imposta uma má fama moral, talvez pelo facto de não se saber a sua origem, pensando-se que seria uma certa punição de Deus por pecados cometidos. No tempo de Jesus, imperavam ainda essas leis que impunham o descarte comunitário.
Nos dias hoje, assistimos a algo semelhante, por causas diferentes. Por isso, o Papa Francisco sugere, nesta ocasião em que celebramos o 32º Dia Mundial do Doente, que «Não é conveniente que o homem esteja só». Cuidar do doente, cuidando das relações.
O Santo Padre escreve-nos esta menagem observando a realidade de hoje e tentando iluminar-nos à luz da sabedoria de Deus. Parte da solidão e descarte vividos em situações como a pandemia da Covid-19, das guerras e de situações concretas de velhice e de doença. Constata que vivemos imersos numa cultura do individualismo e do descarte em que certas opções políticas colocam de fora das consideração quem “ainda não serve” (os nascituros) e os que “já não servem” (os idosos), reduzindo-se os cuidados médicos especializados. A verdade eterna que nos ilumina é que no início da Criação, Deus fez-nos a todos para a relação de comunhão e fraternidade, e não para a solidão, seja em que circunstância for. E o que causa a divisão é o pecado. Então, o “primeiro socorro” que se deve fazer é cuidar das feridas da solidão e do isolamento, fazendo crescer a cultura da ternura e da compaixão. Cuidar o doente significa, em primeiro lugar, cuidar das suas relações: com Deus, com os outros – familiares, amigos, profissionais de saúde –, com a criação, consigo mesmo.
Para podermos adotar um olhar compassivo como o de Cristo, necessitamos de o meditar nos relatos de cura do Evangelho. Ali vemos que Jesus a tocar os doentes e a deixar-Se tocar por eles, foi o caso da cura da sogra de Pedro, meditado no domingo passado. O primeiro aspeto que salta à vista é que Jesus tem que romper com tradições para esta aproximação nas relações humanas com quem está doente… O segundo aspeto é que Jesus cura sem condições… O terceiro aspeto é que Jesus envia a servir ou a dar testemunho…
S. Paulo é pioneiro da “aliança terapêutica” que o Papa Francisco refere ser muito importante na sua mensagem, referindo-se ao médico, ao paciente e aos familiares. O Apóstolo refere-se aos gregos, aos judeus e à Igreja de Deus, procurando “agradar a toda a gente, não buscando o próprio interesse, mas o de todos, para que possam salvar-se”. O ponto de partida dele era “ser imitador de Cristo”. Podemos imitá-l’O diretamente pela Palavra que escutamos ou, para ser mais fácil e acessível, seguindo o exemplo prático de quem O imita.
