L 1 1Rs 8, 1-7. 9-13; Sl 131 (132), 6-7. 8-10 Ev Mc 6, 53-56
Na Memória de Santa Águeda, virgem e mártir
Neste mês de fevereiro, são muitíssimos os jovens universitários que vivem a já famosa “Missão País“, em diversas comunidades de Portugal. Pode ler-se naquele website: A Missão País é um projeto católico de universitários que tem como objetivo levar Jesus às Universidades e evangelizar Portugal através do testemunho da fé, do serviço e da caridade. Trata-se de ser missionário fora das portas da Universidade. Mas então a missão é só mais uma semana de voluntariado? Não ! A Missão distingue-se de um voluntariado por haver um encontro com Jesus nas ações do dia-a-dia. Com o lema Lança as redes e encontrarás!, este ano, os jovens procuram sair das suas zonas de conforto e a partir ao encontro do próximo para partilhar o que receberam em abundância, par encontrarem o que procuram: a vontade de Deus pela qual se traduz a santidade que é a vida em Cristo.
Esta experiência é um belo testemunho da transformação da história que está patente na dinâmica evangelizadora relatada neste trecho do Evangelho segundo Marcos: “sair do barco”, para que as pessoas possam “reconhecer Jesus”, indo por “aldeias, cidades ou casais”, “colocando nas praças públicas” o que há de mais humano, como a fragilidade, para que possam “tocar Jesus” e “ficar curados”.
A Liturgia continua, desde este V Domingo Comum, a garantir-nos que Jesus é a fonte de vida, a resposta aos problemas mais profundos e dramáticos da humanidade. As suas palavras e os seus gestos (a que chamamos de milagres) vêm remediar as situações difíceis do ser humano. Nos jovens da Missão País e no Evangelho de Marcos, podemos perceber que Jesus não é um fantasma (falsa-imagem), mas uma presença viva que reacende a fé simples das gentes, pela qual cada pessoa pode caminhar para Ele e sentir-se curada. Jesus percorre com os seus discípulos as cidades e aldeias sem esperar nenhuma paga, como Paulo dizia na Carta aos Coríntios: anunciar gratuitamente o Evangelho, para ganhar o maior número possível, fazendo-se fraco com os fracos (cf. 1 Cor 9, 16-19.22-23).
No tempo da Igreja, como é que as pessoas podem reconhecer o Senhor no meio dos cristãos, no meio dos jovens?
Jesus está escondido, como o Senhor na “nuvem que encheu o templo”, de modo que “os sacerdotes não puderam continuar a exercer o seu ministério por causa da nuvem”. À luz da Nova Aliança, podemos dizer que Jesus está escondido na “nuvem de jovens-templo”. É curioso que na Missão País, também sejam os jovens que, animados por Jesus Cristo que encontram nas Universidades, presidem à missão (sempre assistidos por pastores)! Num tempo em que, nesta sociedade, “há populismos que alimentam discursos de ódio e que promovem o medo“, a missão da Igreja é lançar pontes para a Salvação que é oferta para todos.
Os jovens ─ por causa de quem, muitas vezes, a cultura popular se habituou a dizer que “estava o mundo perdido” ─ são, à maneira de Santa Águeda, dinamizadores de novas formas de martírio, quer dizer, de testemunho da fé, da esperança e da caridade que Deus graciosamente lhes permite viver no mundo, como dons concedidos por Deus a este mundo contemporâneo. O sermão de São Metódio da Sicília, bispo, sobre Santa Águeda (no séc. IX), faz jus à tradução do seu nome (Águeda = ‘Boa’), cuja bondade corresponde tão bem ao nome e à realidade, que com o nome nos atrai, a fim de que todos venham ao seu encontro, e com o exemplo nos ensina, a fim de que todos se encaminhem sem demora para o verdadeiro bem, que é Deus somente.
No n.º 49 da Exortação Apostólica Pós-sinodal Christus vivit, o Papa diz:
O coração da Igreja está cheio também de jovens santos, que deram a sua vida por Cristo, muitos deles até ao martírio. Constituem magníficos reflexos de Cristo jovem, que resplandecem para nos estimular e tirar fora da sonolência. O Sínodo salientou que «muitos jovens santos fizeram resplandecer os delineamentos da idade juvenil em toda a sua beleza e foram, no seu tempo, verdadeiros profetas de mudança; o seu exemplo mostra do que os jovens são capazes, quando se abrem ao encontro com Cristo».
Christus vivit
Então, sempre que sairmos deste barco, saiamos sempre com o Senhor Jesus que diariamente aqui Se nos dá, levando-O de forma a que todos O possam reconhecer como seu Salvador.
