navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

L 1 2Tm 1, 1-8; Sl 95, 1-2a. 2b-3. 7-8a. 10; Ev Lc 10, 1-9 ─ Na memória dos bispos Timóteo e Tito
Homilia inspirada em AREAIS, Joaquim Domingos. Reaviva o dom que há em ti. O ministério ordenado nas Cartas a Timóteo e Tito. Fátima: Secretariado Nacional de Liturgia, 2022.

Não deve ter sido fácil para Timóteo e Tito o pastoreio de Éfeso e Creta, respetivamente, uma vez que tiveram de se separar do Apóstolo que lhes impôs as mãos. Esta afastamento deve ter originado uma certa obscuridade que levou Paulo a escrever-lhes. Solidão, medo nas decisões, o enfrentamento de problemas sérios, a juventude e a inadequação diante do ministério episcopal ─ são, porventura, as causas de um provável descuido do ministério que levou Paulo a escrever-lhes estas cartas pastorais cheias de afeto. Apesar da sua ausência, estas cartas devem ter tido um peso muito grande no reavivar da missão naqueles bispos.

“Nas Cartas Pastorais, Paulo apresenta-nos a figura do Pastor da Igreja, como guia afetuoso, compreensivo, atento ao essencial, que não se distrai com ilusões ou fantasias, realista, fraterno e com os pés bem assentes na terra. Homem vigilante, que não corre atrás de falsas promessas nem se deixa enganar facilmente, capaz de infundir coragem e esperança, como o Servo de Javé (cf. 2Tm 2,22-26), que faz do serviço a sua missão. “Esta imagem do Pastor é também essencial, nos dias de hoje, que precisa de pastores, segundo o coração de Cristo, promotores do diálogo, escutando e animando, no serviço do anúncio fiel do Evangelho e dos mais frágeis, numa Igreja, que olha para os vastos horizontes do futuro com fé e esperança, compreendendo os tempos da paciência de Deus.” (Cf. AREAIS, Joaquim Domingos. Reaviva o dom que há em ti)

No Sacramento da Ordem, há um típico gesto que “sustenta” a comunhão entre quem tem o poder de ordenar e quem é chamado a cooperar com ele: o gesto da imposição das mãos. É um gesto significativo através do qual o ministério de um fica associado ao ministério do outro.

A transmissão da fé ─ a Evangelização ─ é um tema tão caro para o Papa Francisco, como podemos ver nos nn. 14 e 70 da Evangelii gaudium, assim como para Paulo e o evangelista Marcos. No entanto como hoje se observa, há muitas dificuldades também na vida de Timóteo: um jovem, a solidão, as decisões que é preciso tomar, a distância de Paulo que está preso, as responsabilidades que têm de se assumir ─ são muitos dos problemas com que ministros e leigos se debatem, deixando enfraquecer o elo que permitia viver a evangelização de forma solidária e de maneira de prolongar-se no tempo, de geração em geração.

Então como se pode reanimar este “dom”?

◘ Tendo os mesmos sentimentos e motivações, um espírito de fortaleza, caridade, de moderação e de alegria.

◘ Continuar a transmitir a fé que se recebeu, sem timidez ou vergonha, ainda que no meio de sofrimentos e tribulações, com confiança em Deus.

◘ De forma sinodal ou solidária

◘ Com simplicidade ou sobriedade

A “prova dos 9” de uma missão bem sucedida é que a transmissão da fé ou transmite paz ─ aquela que vem de Deus ─ ou então não será.

De hoje, 26 de janeiro, a 2 de fevereiro, celebraremos a habitual Semana do Consagrado. O tema deste ano é “Rezar a Esperança” (Ver subsídios).

São Paulo, quando se dirige aos seus colaboradores, saúda-os com votos de graça, paz, misericórdia. Estes são os grandes dons de Deus, cujos efeitos sentimos nas nossas vidas. O apóstolo é um mensageiro e um agente de paz: é chamado a transmitir aos outros a paz que ele mesmo recebe da parte de Deus. Os filhos de Deus são chamados a ser agentes desta paz que é dom divino (cf. Mt 5,9). Como Paulo, como Tito e Timóteo, sejamos transmissores da paz de Deus, infundindo neste mundo a esperança que nos faz caminhar. A cada dia, e nesta Semana do Consagrado em particular, acolhemos o convite do apóstolo: «Exorto-te a que reavives o dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos» (2Tm 1,6). A nossa consagração é como uma brasa que precisa de ser reacendida para passar o calor, para surtir o efeito que dela se espera. Mas sempre com a consciência de quem é o verdadeiro autor da nossa consagração e o único que lhe pode conferir verdadeira vida e calor: é Deus que nos deu um espírito de «fortaleza, de caridade e de moderação» (2Tm 1,7)