navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

1Sm 18, 6-9: 19, 1-7; Sl 55 (56), 2-3. 9-10ab. 10c-11. 12-13 Ev Mc 3, 7-12

Hoje podemos encontrar um paralelismo da relação entre Saul e David com a relação entre Caim e Abel. No capítulo 4 do Livro do Génesis, reparamos que Caim ficou muito irritado e de rosto abatido pelo facto de o Senhor se ter agradado mais diante da oferta de Abel. O diálogo do Senhor com Caim não chegou para que este matasse o seu irmão. Em relação a David, o Senhor Deus providenciou o seu amigo Jónatas, filho de Saul, que intercedeu por ele, levando o seu pai ao reconhecimento do benefício da verdade e do bem de David.

Também podemos encontrar um paralelismo entre as mulheres que “cantam e dançam alegremente” e as numerosas/grandes multidões que perseguem Jesus, por causa da fama provocada pelas palavras que dizia e pelas curas que realizava. Prefigurado em Jónatas, Jesus não se deixa invadir por sentimentos que não sejam para dar a vida em abundância, acautelando-Se de tudo o que possa prejudicar a sua missão. É sugestiva a estratégia que adota de pedir uma barca para Se manter à distância, não deixando que o apertem. De facto, as suas boas obras não são meras benfeitorias e as suas palavras não precisam de flashmobs. O que Ele quer é que cada pessoa O procure, como aos valores do Reino que anuncia, com o coração, e não com exaltações emocionais momentâneas.

Os espíritos impuros que provocavam Jesus parecem-se com a inveja de Saul e de Caim. Estes espíritos ─ de inveja, irritação, abatimento ─ só podem ser derrotados com a oração, mandando “calar” elogios inoportunos ou intercedendo para evitar retaliações desnecessárias a inocentes. Aqueles que seguem e se abandonam confiantes a um caminho de configuração com Cristo são chamados a aprender as subtilezas dos bons e dos maus espíritos. A indignação de Jesus em favor de um homem doente que a lei não permitia curar era um bom espírito, enquanto que a irritação de Saul diante de um elogio festivo a David eram um mau espírito.