1Jo 3, 11-21; Sl 99 (100), 2. 3. 4. 5; Ev Jo 1, 43-51
Continuamos a contemplar na Liturgia, nas várias cenas retratadas pelo Evangelho deste tempo de Natal, que o rasto deixado por Jesus é de uma força inexplicável, mas comovente, quer dizer: que move os corações para Ele e, d’Ele, para o próximo. Na verdade, muito embora Jesus conhecendo-nos de onde somos e o que estamos a fazer ou a padecer, Ele aproveita-Se sempre das qualidades naturais, como a Natanael sublinhou primeiro o facto de ser “um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento”.
Caminhamos para o desfecho das celebrações do Natal com a Epifania e o Bastimo do Senhor. Vê-lo crescer em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens, corresponde à possibilidade de um ENCONTRO que transforma a nossa forma de viver, e nos impele a anunciá-l’O na vida de outras pessoas.
A categoria do ENCONTRO é a que melhor pode expressar a dinâmica do acolhimento da Encarnação do Verbo nas nossas vidas. Para que a revelação do Verbo possa acontecer a cada um de nós, terá de haver um “ponto-de-encontro”: seja uma celebração comunitária, um momento de oração pessoal, um ato de caridade, a presença de um pobre na nossa vida, o empenho vocacional/profissional como forma de testemunho crente, etc.
O rasto da Presença com que Jesus marca a nossa história tende a replicar-se através de quem O encontra, uma vez que a alegria que nasce neste encontro tende a multiplicar-se. Para isso, é preciso ainda sair debaixo do que nos compromete com as trevas ─ quase sempre na busca de falsas seguranças (a “figueira” de Natanael), para sairmos por cima envolvidos com a luz de Cristo contido no testemunho credível dos Apóstolos.
Sejamos como os magos e os pastores, capazes de reconhecer a Presença do Senhor e de O buscar nas pessoas e lugares imprevisíveis. Mais do que domesticados, Ele quer-nos enamorados (Papa Francisco).
