1Jo 3, 7-10; Sl 97(98); Jo 1, 35-42
No passado dia 29 de dezembro de 2023, no pequeno encontro que o Sr. D. António Luciano, Bispo de Viseu, fez com os seus pré-seminaristas, pediu-lhes que falassem do pré-seminário a outros jovens da sua idade, de modo a que no próximo Encontro da Páscoa possam estar mais jovens a fazer esta experiência de seguimento especial de Jesus Cristo. E o que possa parecer, à primeira vista, uma preocupação com o número do que podem vir a integrar a formação presbiteral, no fundo, declara que a força do rasto inédito que Jesus deixou inscrito com a sua Presença ─ conforme se perscruta na cena evangélica de hoje ─ pode ser reativado e transmitido por qualquer crente n’Ele. Na verdade, desde o seu nascimento em Belém, Jesus ficou connosco para sempre, para que, sob os desígnios amorosos de Deus Pai, possamos aprender a encontrá-I’O e a falar d’Ele aos que O não conhecem.
O Cristianismo é o anúncio de que Deus Se fez homem, nascido de uma mulher, num determinado lugar e num determinado tempo. O Mistério que está na raiz de toda as coisas quis dar-se a conhecer ao homem. É um Facto que aconteceu na história, é a irrupção no tempo e no espaço de uma Presença humana excecional. Deus deu-Se a conhecer revelando-Se, tomando Ele a iniciativa de colocar-Se como fator da experiência humana, num instante decisivo para toda a vida do mundo.
GIUSSANI, ALBERTO, e PRADES, Gerar rasto na história do mundo, 13.
João Batista é uma daquelas personagens-antídoto contra o populismo. Deveria ser um perito lançador de “upgrades” do género “quero que o meu discípulo seja maior que o mestre”. Na história da minha formação contemplei muitos que me ajudaram a ser um pequeno fazedor de grandes.
Porque o modelo está acima de todos nós: é Cristo que passa. Passa e não se mantém quieto, porque a sua morada é o caminho. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. São estes a sua “casa”, o seu “abrigo” e a sua “meta”.
O objetivo é que “todos os confins da terra veja a salvação do nosso Deus”, como canta o Salmo 97, de forma que é preciso atirar os discípulos para o “trampolim divino” que os lance para esses “confins”. O “trampolim” para morar com(o) Cristo é feito de presença, apresentação, diálogo, acolhimento, afeição, acompanhamento. Este caminho de Cristo é capaz de mudar a vida daqueles que levarão a outros este Cristo que muda suas vidas.
A categoria do encontro não é a única, mas uma importante forma de realizar o acontecimento cristão. Confirma-se que é encontro com Cristo quando uma verdadeira alegria nos habita. E como essa alegria é grande, tende a transbordar na comunicação a outros do mesmo acontecimento. É alegria que, como diz o Papa Francisco, se renova e comunica:
A Alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos.
A Alegria do Evangelho, 1
O Papa Francisco avisou os elementos da Cúria, neste Natal, sobre o perigo de viver em “labirintos” feitos de “medos, rigidez e repetição de esquemas” que fecham nos “fixismos ideológicos”. Convidou-os a estar a caminho, naquele onde se busca e aprofunda a verdade, superando a tentação de permanecer paralizados e a “labirintear” dentro das nossas cercas e temores. Por isso, mais do que “progressistas” e “conservadores”, o Santo Padre aponta como diferença central a que existe entre “enamorados” e “acostumados”. O primeiro encontro daqueles Apóstolos com Cristo não os acostumou, mas enamorou. A prova é o estarmos hoje nós aqui. Que cada um de nós se deixe enamorar em cada encontro como se fosse o primeiro.
