Ben-Sirá; 1ª Carta de João; Mateus ─ Matrimónio; Bodas Matrimoniais
N. e N., não como quem joga à raspadinha, dito por uns com “jogo da sorte” e por outros “jogo do azar”, mas como quem confia na Palavra de Deus e no Encontro com Ele nos Sacramentos, vocês acabam de ganhar no dia de hoje, pelo menos, mais o dobro do número dos vossos dias! E não só em número, mas também com as qualidades da paz e da alegria! E como é que jogaram? Ouvimos na leitura do Livro de Ben-Sirá: Feliz o homem… A paz e a alegria são frutos da sensatez e da honestidade silenciosas.
Na segunda leitura, aprendemos que o amor é o princípio ativo da vida em crescimento até à eternidade. É um amor que nos precede e que tem o seu expoente máximo da encarnação do Verbo, quer dizer, na dádiva do Filho Unigénito de Deus à humanidade, que chega a morrer como vítima de expiação dos nossos pecados.
É o amor esponsal que nos faz ganhar a “lotaria” da vida eterna, porque Deus é relação e a experiência do encontro com Ele é sempre baseado no amor. A relação matrimonial parece ser a que melhor carateriza a relação de Deus com o ser humano e, apesar da pequenez do ser humano, Deus nunca Se cansou de o escolher e o amor com gestos concretos de salvação. Existe uma maneira mais apropriada de pensar como Deus e o ser humano se relacionam do que aquilo que fornece amor?
Segundo nos inspira Mateus no Evangelho, o amor a Deus ─ com todas as faculdades do nosso ser, quer dizer: coração, alma e espírito ─ ajuda cada cônjuge a crescer para poder amar o outro como a si mesmo. É como dizia o nosso poeta Fernando Pessoa, quer dizer Ricardo Reis:
Para ser grande, sê inteiro: nada
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Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
Partindo da definição da pessoa como uma unidade bio-psico-relacional-espiritual, podemos dizer que só crescendo nestas quatro dimensões de forma integral e equilibrada é que poderemos amar verdadeiramente, ou seja: querer o bem do outro. Ora, hoje estamos aqui ─ na dimensão espiritual ─ para agradecermos a Deus a vocação matrimonial pela qual vos permitiu e continua a permitir crescer nas várias dimensões que compõe o vosso ser.
Concluo que duas pessoas que se amam assim, sob a graça deste Sacramento, são detentoras de um poder que nenhum de nós é capaz de avaliar, uma vez que se multiplica nos filhos, netos, bisnetos, etc., assim como pelas boas ações e boas relações familiares, com os amigos e nas atividades profissionais. A vocação ao Matrimónio, como qualquer outra vocação de consagração a Deus, permite viver a partir de uma unidade pessoal, familiar e comunitária que exprime a imensa força do amor com que Deus ama a humanidade. É pela família que Deus também Se faz próximo de quem precisa.
