navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

1Jo 1, 5 – 2, 2; Mt 2, 13-18 ─ Na festa dos Santos Inocentes, Mártires

Provavelmente, raramente pensámos em José, Maria e o Menino Jesus como refugiados e são as notícias de milhões de refugiados da atualidade que nos leva a ler o episódio proclamado hoje como sendo semelhante à história dos atuais refugiados. Os motivos seriam diferentes, mas semelhantes: Herodes perseguia Jesus por Ele ser quem era; hoje perseguem-se milhões de seres humanos não os deixando ser o que poderiam ser. Por isso, forma-se o caminho do êxodo para terras melhores, onde se defenda a dignidade humana e o futuro da humanidade.

Mateus, ao relatar este episódio da vida de Jesus, estava não só a reunir factos históricos próximos do nascimento de Jesus, mas também a situação em que a Igreja vivia quando este Evangelho foi escrito. Em todas as épocas históricas ─ e da atualidade não passa despercebida ─ se procurou perseguir e eliminar figuras importantes que ameaçavam interesses imperialistas: conhecem-se o caso de Rómulo e Remo, Augusto, Sargão, Ciro… Na história do Povo de Deus, conhecemos o caso de Moisés que teve de fugir para o deserto, para longo dos perseguidores egípcios. O novo Moisés, que é Jesus, não escapou a este tipo de sorte. Mas a Escritura já adivinhava que o Senhor O iria chamar desde o Egito, para o seu regresso à Palestina, como confirma uma citação do profeta Oseias (11,1). Mateus quer demonstrar que Jesus é o Messias de Israel, Filho de Deus por excelência, que tem a mesma sorte do povo que vem salvar.

Esta fuga para o Egito é fruto de uma intervenção divina.