2Sm 7, 1-5. 8b-12. 14a. 16; Rm 16, 25-27; Lc 1, 26-38 ─ No IV Domingo do Advento B
O anjo Gabriel voa para longe do templo, do sacerdote idoso sem palavra, para uma jovem leiga, da Cidade Santa para uma aldeia sem história, de um homem para uma mulher, do único templo para uma casa como tantas outras… que se torna uma janela do céu. Assim começa o Evangelho: Deus sai dos recintos do sagrado e mergulha na normalidade da vida; não entre incitado e castiçais, mas potes e teares. O Anjo migratório fala claramente e de uma maneira nova.
Ermes Ronchi
Na Diocese de Viseu, a dinâmica de Advento sugeriu introduzirmos neste 4º Domingo a palavra “ACOLHIMENTO”. Palpitou-me no coração aquela provocação de Ermes Ronchi. O Acolhimento do Natal nas celebrações litúrgicas não fica completo: será completo quando acolhermos o Senhor que vem às nossas vidas concretas, às nossas histórias, às nossas casas, às nossas ruas e vizinhanças. As luzes e os ritos do Natal não podem ser mero refúgio; precisamos de ser espaço para quer procura refúgio: seja quem for, dá rosto ao Senhor que quis e continua a querer incarnar, Palavra feita carne e vida. Sim o acolhimento tem duas faces: acolher Jesus na Eucaristia e levá-lo em gestos a quem O queira acolher na vida.
O Natal justifica e resolve a tensão entre a casa de todos e a cada de cada família.
