Is 61, 1-2a. 10-11; 1Ts 5, 16-24; Jo 1, 6-8. 19-28
Estávamos a construir o presépio na habitual hora de convívio comunitário, como atividade proposta pela equipa da cultura e comunicação da comunidade do Seminário. Cada um dava a sua colaboração entre a colocação do pinheiro com os seus enfeites brilhantes e luminosos e a construção da cabaninha que iria albergar Maria, José e o Menino que, entretanto, por não ser ainda o dia 25, foi escondido por detrás do pano. Eu estava só a observar, contemplando e alegrando-me pelo clima de aproximação ao Natal. Entretanto alguém tocou à campainha. Sr. reitor alguém está à porta! Lá fui na missão que me cabia (alguma coisa deveria ter de fazer para além de mera contemplação). À porta, apresentou-se um jovem a pedir alojamento por uma noite, uma vez que tinha tinha ficado desalojado e só iria ter novamente onde ficar por 30 dias a partir do dia seguinte. Ali caiu por terra o meu “esmalte” natalício. Pensando com os meus botões, calculava dentro de mim se o poderia acolher ou não quando peguei no telemóvel para telefonar para o presidente da Cáritas. Sr. presidente tenho aqui um rapazito que veio pedir-me alojamento por uma noite e, depois de lhe ter contado as circunstâncias do rapaz, perguntei-lhe: há possibilidade de lhe encontrar um lugar para pernoitar? E ele, prontamente, me pediu o nome e o contacto do jovem dizendo: já-lhe telefono a propor-lhe uma solução. Despedi-me do jovem, garantindo-lhe que aquele senhor o iria contactar para lhe dar alojamento para aquela noite. Daí a uns minutos, o responsável da Cáritas respondeu-me que o assunto estava resolvido, que o jovem ficaria numa estrutura de alojamento temporário para migrantes e acrescentando: por acaso, hoje, temos um lugar ainda não ocupado. Respondi-lhe, em tom de agradecimento: foi a Providência, cumprimentos. À refeição do jantar, refletia com os rapazes: sabem, na sala de convívio, escondemos a figura do Menino Jesus para Ele aparecer somente no dia 25. Enquanto estavam a acabar a elaboração do presépio, quando fui à porta, foi Ele que Se apresentou a tocar à campainha, na pessoa daquele desalojado que pedia acolhimento. Nós a esconder a Sua figura e Ele a aparecer em pessoa.
Testemunho relatado de uma experiência do Seminário Interdiocesano de São José
No quarto Evangelho, João Batista aparece na sua qualidade de testemunha e o público diante do qual ele aparece são os judeus. E estes costumavam apresentar-se como inimigos de Jesus. Os sacerdotes e os levitas enviaram-lhe emissários porque ela fazia coisas ─ batizava na água ─ e dizia palavras que, ainda que remontando ao profeta Isaías, não estavam em voga no seu tempo. Perante este atrevimento, os fariseus perguntavam-lhe «então porque batizas se não és o Messias, nem Elias, nem o profeta?».
E é aqui que a “rebeldia” do Batista se completa: «Eu batizo na água; mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias».
Não nos podemos esquecer que esta cena é sequenciada a partir do famoso Prólogo do Evangelho segundo João, onde se fala da origem do Verbo. A humildade do Batista introduz-nos nesta soberania do Verbo que se fez carne e diante do qual é preciso, aliás, urgente endireitar o caminho. Por isso é que a voz clama no deserto.
A provocação da teologia proclamada neste 3º Domingo do Advento ajuda-nos a ver que a nossa sociedade ─ mesmo no meio de belos enfeites de Natal, de tantos meios e possibilidades ─ pode continuar a ser efetivamente um deserto. A partir da Liturgia, a voz continua a clamar. Vamos fazê-la ouvir lá fora?
Vamos, também, o melhor possível ouvir os gritos da humanidade que sofre aqui dentro? Em Belém, neste tempo de guerra, o presépio é parecido com o que está a acontecer fora do templo. A nossa contemplação do mistério do Natal nos nossos presépios “esporádicos” é tanto mais realista quanto à verdade do Nascimento do Salvador quanto mais eles nos enviarem a fazer parte do presépio que dura o ano todo, feito de figurantes reais, incluindo o Menino Deus que se esconde e identifica com os “pequeninos”.

(Em atualização)
