Ez 34, 11-12. 15-17; Sl 22 (23), 1-2a. 2b-3. 5-6 L 2 1Cor 15, 20-26. 28 Ev Mt 25, 31-46; XXXIV Domingo do Tempo Comum (A) ─ Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo | XXXVIII Jornada Mundial da Juventude
Quereis ir rapidamente para Reino? Cumpri Mateus 25 e estareis no Céu. Fazei obras de misericórdia. Ocupai-vos nisso e basta!
O Papa Francisco em resposta a um grupo de crismados que desabafavam com ele que tinham aprendido muito na catequese, mas que eram tantas informações que se tornava complicado colocá-las em prática.
O Evangelho apresenta-nos o “juzío final”, uma cena poderosa e dramática, mas que na realidade é a revelação da verdade última sobre o homem e a vida, sobre o que resta quando não resta mais nada: o amor. O tempo do amor é o mais longo da vida, ainda mais se começar já nesta terra.
Por isso ser-nos-á sempre perguntado: o que é que fizeste ao teu irmão? ─ É uma pergunta muito antiga, muito mais do que a tendência de pensarmos que nos salvamos sozinhos e de que a salvação consista só em cuidar da alma. Se o fazemos de forma crente, é porque esta precisa de se dinamizar em cuidar do corpo! Como se alma não conseguisse “subir para o céu” sem deixar o corpo que Deus lhe deu dignificado, apesar de doente e frágil. É por isso, que o Papa Francisco, na Carta “Palcuit Deo”, declara heresias o individualismo e o desprezo do corpo, em favor de uma maior transparência sobre a santidade que nos garante a salvação.
Sendo assim, a fraternidade e a solidariedade integral poderão ser dois eixos da santidade. É que só estaremos perto de Cristo se estivermos perto dos irmãos mais pequeninos. Numa das últimas homilias lembrei o que já Bento XVI tinha referido sobre o que é específico da mensagem cristã: está-nos prometido um futuro feliz. Hoje acrescentamos à nossa meditação que Jesus abriu uma brecha salvífica acessível a todos: o encontro com Ele no irmão que precisa da nossa ajuda. Portanto, a nossa salvação não fica completa na mera participação em atos litúrgicos, como a doação de Jesus não ficou completa na última ceia. Foi no assumir da Cruz, na praça pública do Calvário, que Jesus fez o máximo dom de Si mesmo! Por isso é que na Quinta-feira Santa o ato com que começamos o Tríduo Pascal se chama Missa Vespertina da Ceia do Senhor. Na verdade, muito embora não haja Eucaristia na Sexta-feira Santa, os ritos que neste dia se celebram completam o memorial salvífico que celebra na Liturgia.
Assim, o pobre e os que vivem crucificados nesta vida são como o que uma expressão de Deus. Ele habita nos seus filhos, de forma que o amor quer ser amado. No Cristo Rei celebramos um Deus apaixonado que canta para cada filho o canto exultante de Adão para sua esposa: “Verdadeiramente tu és carne da minha carne, sopro do meu sopro, corpo do meu corpo”. Para aqueles que escolhem a distância Deus dirá “longe de mim, porque escolhestes estar longe de teus irmãos”. Omissão de fraternidade. Isolamento do medo, porque para alguns pode ser como J. P. Sartre disse: “o inferno são os outros”. Mas o Evangelho responde: “nunca sem o outro”. Deus, um dia, verá se nos olhares de todos está o reflexo do olhar misericordioso de algum outro, do olhar daqueles que cuidaram. Sim isso, não haverá paraíso!
Esses já benditos de nosso Pai estão lá no fim da fila, implorando pão e uma casa para seus entes queridos: quer todos saciados, satisfeitos, vestidos, curados, consolados. E é nas ações que fizermos a este respeito que nos sentiremos seguros. No julgamento final, não é o mal que terá o pódio, mas o bem que tivermos feito e é esse bem que revogará o mal, de forma que o mal nunca conseguirá revogar o bem. Disse o místico S. João da Cruz: na tarde da vida, seremos julgados pelo amor, não pela culpa ou pelas práticas religiosas, mas pela assunção secular e muito humana da dor do ser humano.
Estamos a viver neste fim-de-semana a XXXVIII Jornada Mundial da Juventude, em que o Santo Padre o Papa Francisco, nos escreve uma Mensagem com o tema «Alegres na esperança» (Rm 12, 12). Nesta mensagem, o Santo Padre lembra-se que para realizar esta JMJ Lisboa 2023 tivemos de esperar através da pandemia, onde fomos chamados a cuidar uns dos outros. E a JMJ em Lisboa superou todas as expetativas! Em Lisboa marcou um novo encontro, o Jubileu dos Jovens em Roma, em que serão chamados a ser “peregrinos da esperança”. Os jovens são a esperança jubilosa de uma Igreja e de uma humanidade sempre a caminho. E o Papa quer dar-lhes a sua mão para caminharmos “alegres na esperança”, porque aqueles que esperam no Senhor caminham sem se cansar.
A origem desta alegria é o amor incondicional de Deus. «No fim de contas, precisamos de um acolhimento incondicional; somente se Deus me acolher e eu estiver seguro disso mesmo é que sei definitivamente: é bom que eu exista; (…) é bom existir como pessoa humana, mesmo em tempos difíceis. A fé faz-nos felizes a partir de dentro» (cf. BENTO XVI à Cúria Romana).
A esperança é aquela luz que brilha na noite: na noite de Páscoa, como na noite de Natal, como nas noites mais difíceis das nossas vidas, ali aparece uma estrela onde podemos ancorar o nosso desejo de um dia melhor. É aí que o Evangelho nos convida a ancorar as nossas vidas, nas não luzes que já brilham, mas que porventura não cumprem o que prometem. A esperança cristão não é um otimismo, mas uma certeza que é preciso alimentar. Como? Na oração e pelas nossas opções quotidianas. Quando falha a luz lá em casa, precisamos de acender uma vela para ver. Hoje usa-se mais a lanterna do smartphone. A luz da fé é Jesus Cristo. Tenhamo-lo sempre presente quer estejamos aqui, quer estejamos diante dos irmãos mais frágeis. Perto deles, estaremos perto de Cristo. Maria, que é a Mãe da Esperança, nos acompanhe no nosso peregrinar da esperança!
É na conjugação da alegria e da esperança que podemos caminhar na construção da paz.
