navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

1Mac 4, 36-37. 52-59; Lc 19, 45-48

Há tantos anos que os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os chefes do povo se esmeravam com o zelo pelo templo, velando para que as suas “contas” ficassem todas saldadas. O “adro” ou as suas imediações, que, por um lado, distanciavam a pureza do templo das coisas do mundo e, por outro, serviam de interface económica. Jesus tocou estas imediações do templo, este ponto mais sagrado da religião para os judeus.

Jesus estabelece uma nova relação entre o ser humano e Deus, atitude que Lhe vai provocar a morte. Mesmo sabendo desse risco, Jesus ensinava ali todos os dias, como que numa diária Liturgia da Palavra. O “está escrito” estabelecia algo que não era compatível com o “deve e haver” das contas do templo e da sustentabilidade de quem o geria. Porém, o projeto de Jesus vai muito mais além que o edifício de pedras. Não admira que tivessem alguma inveja e, até, mesmo, a raiva pelo facto de o Povo se maravilhar quando ouvia Jesus.

Algo de semelhante se passa quando a dimensão da oração, do ensino e do testemunho não andam de mãos dadas. Quando se absolutiza a liturgia (lex orandi), sem se valorizar a evangelização e a catequese (lex credendi), habitualmente menoriza-se a importância do testemunho público da fé (lex agendi). Liturgia, fé e ética são três elementos fundamentais do lugar teológico onde Cristo se encontra com os homens, sem os quais não poderá haver desenvolvimento para ninguém.

«Dado que a lex orandi se conforma com a lex credendi» (cf. Papa João Paulo II), a disciplina dos Sacramentos procura orientar as comunidades da Igreja a celebrar bem, no respeitante à matéria e à forma dos Sacramentos, sem a unanimidade dos quais se pode garantir o encontro com a graça sacramental. No entanto, esta matéria e forma não pode ignorar a vida no antes e no depois das celebrações.

A verificar pela experiência da dedicação do Templo conforme é relatada pelos Macabeus, os judeus estavam a “vender a alma” perene do templo em favor dos tesouros perenes. Sem ética no “adro”, quer dizer nas relações humanas, como poderia ser ele “acessibilidade” para o culto devido a Deus, aquele culto que consente de fazerem pontes entre as realidades da vida que requerem a sua devida atenção. A pregação/ensino pode e deve iluminar a arte de celebrar, para que esta possa organizar de forma justa a arte da vida.