Sb 1, 1-7; Lc 17, 1-6
Hoje comemora-se o Dia Mundial da Bondade, com o qual se pretende reavivar no mundo o sentido da bondade das pessoas. Gestos simples, como um obrigado, um belo sorriso o ato carinhoso são pequenas ações que podem fazer toda a diferença. Neste dia apela-se à paz nas pessoas, colocando-se de lado por 24 horas as diferenças religiosas, fronteiriças e de raça. Com o celebrar da bondade durante um dia, espera-se que se plantem as raízes para se verificar a bondade durante o resto do ano. Foi em 1998 que teve lugar em Tóquio a primeira conferência do Movimento Mundial pela Bondade (World Kindness Movement). O objetivo era “criar um mundo mais bondoso e pleno de compaixão”. Atualmente, o Dia Mundial da Bondade celebra-se em vários países do mundo, tais como o Canadá, a Austrália, o Japão, a Nigéria e os Emiratos Árabes Unidos. Em certos países oferecem-se flores neste dia, quer a conhecidos, quer a desconhecidos.
No Evangelho de hoje, Jesus alerta-nos para o facto inevitável de haver escândalos. E, ao mesmo tempo, adverte sobre o perigo acerca daqueles que os provocam. No centro, não estão os escândalos, mas os “pequeninos”. Reparemos que Jesus não se fixa a contemplar os escândalos, nem termina o seu discurso quanto ao castigo devido para os causadores dos mesmos. Vai rápido para a cura: avisa também aqueles que contemplam o mal, para o facto de que deverão fazer alguma coisa ─ «Tende cuidado. Se teu irmão…». O caminho da recuperação do irmão é: repreender e perdoar, caso o irmão se tenha arrependido. Perdoar quantas vezes for preciso, sem limites, dentro da fronteira do amor fraterno e do arrependimento. Com este, abra-se sempre a porta do perdão. Sem este, abre-se a porta da corrupção. Por isso é que o Papa Francisco tem alertado dentro da Igreja a focos de certas ideologias fechadas ao diálogo, mas que minam a atividade evangelizadora da Igreja com abuso de poder espiritual.
É pena que, dentro ou fora da Igreja, só se resumam os “escândalos” a eventos do foro sexual, evitando-se falar da justiça económica e do cuidado e partilha do bem comum. A primeira leitura afirma-nos que a Sabedoria de Deus os convida a amar a justiça, a pensar corretamente e a procurar Deus com a simplicidade do coração, porque Ele Se deixa encontrar pelos que não O tentam e revela-Se aos que n’Ele confiam. Ao mesmo tempo, fala-nos do Espírito sagrado como nosso educador, que sabe tudo e pode orientar-nos no bom caminho. Ninguém está dispensado desta simplicidade do coração que leva a procurar Deus e a orientar os irmãos. Já Paulo VI, falando dos conselhos evangélicos da pobreza, castidade e obediência, sugeria que a falta da pobreza ou simplicidade de vida era a causa do défice da castidade e da obediência.
O segredo de uma vida simples é colocar o olhar da fé onde deve ser colocado: em Deus. Adorá-lo levará à fraternidade e esta permitirá que a paz habite em cada coração. O contrário seria o deicídio (ignorar Deus), que leva ao fratricídio (ser indiferente ao irmão) e suicídio (a perda do sentido da vida, antes que a provocação da própria morte). Façamos recíprocos gestos de bondade, que esta nos levará a Deus e a recomeçar de novo o que Ele, na Ciração e na Redenção, (re)iniciou em nós.
