Rm 15, 14-21; Sl 97 (98), 1. 2-3ab. 3cd-4 Ev Lc 16, 1-8; na Memória de São Leão Magno
Já no séx. V, o Papa São Leão Magno, bebendo das fontes fiéis que lhe chegaram, tinha por certo que o Corpo de Cristo está em expansão. O Apóstolo estava convicto que o Evangelho tinha de ser pregado onde ainda não tinha sido escutado. Porque, como cantamos no salmo, «O Senhor manifestou a salvação a todos os povos». Por isso, a Igreja de Cristo não pode ficar presa a apeadeiros da história, mesmo que precise de parar neles por alguma razão especial. Precisa de se fazer ao caminho, para chegar ainda onde não foi, para se relacionar com quem ainda não recebeu a Palavra de Deus.
Jesus faz um elogio à esperteza humana na figura do administrador desonesto, não para nos sugerir que sejamos desonestos, mas que os filhos da luz usem da esperteza humana para chegarem onde o Mestre os chama. Esta esperteza honesta chama-se coerência. Por vezes, podemos correr o risco de pensar que para tentarmos governar a nossa coerência na tentativa de sermos fiéis a Cristo basta não nos igualarmos com o administrador desonesto (para não sermos, enfim, desonestos). Porém, não seremos honestos se não soubermos ser anunciadores da verdade com toda a criatividade e diálogo possíveis com as culturas atuais. Por isso é que a coerência com a verdade terá de se deixar “governar” pela honestidade diante da realidade.
Paulo intuiu-o bem quando dizia aos seus: já estais plenos. Mas escreve-lhes como que a dizer: falta transbordar. É o que se propõe, neste fim-de-semana vocacional nas dioceses, aos seminaristas: aqui “abastecemo-nos” de Jesus, agora vamos a transbordá-lo através do testemunho pessoal, a todos os que encontrarmos e, em especial, àqueles que ainda não O conhecem bem.
