navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Ez 47, 1-2. 8-9. 12; 1Cor 3, 9c-11. 16-17; Jo 2, 13-22 – Na Festa da Dedicação da Basílica de Latrão

Quando chego à celebração desta Festa da Basílica de Latrão, declarada como a igreja do Bispo de Roma, casa-mãe à qual estão ligadas todas as igrejas-mães das nossas dioceses, pergunto: e a basílica de São Pedro? Para quê existe e que relação tem com Latrão? Vou logo à procura de uma resposta lógica ou teológica.

A basílica de São Pedro não é uma catedral, uma vez que ali não preside nenhum bispo. Na basílica de São João de Latrão, o Papa preside, como bispo de Roma, à assembleia universal da caridade, onde é “primus inter pares”. Na basílica de São Pedro, o Papa é o vigilante da verdade. Poderíamos dizer que o Magistério da Igreja universal reparte-se entre a função da mãe, que é a de nutrir os seus filhos dentro de casa, e a função do pai que é orientá-los no bom caminho fora de casa. Assim é a relação entre aquelas duas basílicas, no meu modo humilde de ver: na comunhão temos o alimento e nunca fora dela, não só entendida como comunhão eucarística, mas também como comunhão na relação com os outros (uma vez que Cristo Se identifica com os irmãos, sobretudo os mais pobres); na vigilância da verdade temos a orientação. De São João de Latrão saem aquelas “águas salubres” (“doce”, como profetiza o Antigo Testamento) para toda a parte e em crescendo; de São Pedro, orientam-se os sulcos para que essa água siga um bom caminho e não se perca.

Foi por isso que o Senhor se encheu de zelo para com a sua casa: com o coração numa das mãos e o chicote na outra. O sentido é a comunhão e por lá e para lá se caminha na verdade. Em Latrão está um grande batistério: é da comunhão no enxerto de Cristo que partimos, como irmãos, para a evangelização. Em São Pedro encontramo-nos com muitas culturas: aqui contemplamos para fora. Em Latrão contemplamos para dentro. Sim, a comunidade universal da Igreja pode entender-se como uma bola de futebol: tem um lado de dentro e um lado de fora e serve para se “jogar” a salvação que nos é oferecida em Cristo. Pode ser entre “solteiros” e “casados”!