navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Rm 8, 18-25; Lc 13, 18-21

Lucas acompanhava uma comunidade helénica que deveria estar a viver episódios como o de hoje, de revoltas sociais que levavam ao desânimo, diante da aparente ineficácia da Palavra de Deus e das obras da fé. Perante as várias formas de os cristãos reagirem aos problemas do mal, Lucas compilou preferencialmente as parábolas de Jesus que visavam orientar o comportamento humano e esclarecer a sua “sorte” no mundo. Perante aqueles que diziam que nada se passa, inspira-se em Jesus que é fonte de consolação onde predominam as forças do mal.

As pequeninas parábolas sobre o Reino têm, naqueles ambientes da primitiva Igreja, um poder muito forte, não só pela aparência do símbolos usados, mas também pelo significação que está por detrás do comportamento desses símbolos.

1) O grão de mostarda, aparente ser pequeno e desprezível, converte-se num arbusto frondoso.

2) O fermento, aparentemente perdido no meio da grande massa de farinha, fermenta-a e transforma-a totalmente a partir de dentro.

Jesus é esta semente e este fermento, no meio da massa da história da humanidade. E os seus discípulos são a replicação da sua força discreta e escondida. Somos chamados a não vacilar, mas a espalhar a esperança, através de gestos simples e alegres.

Nas vésperas da Solenidade de todos os Santos e da Comemoração dos Fiéis Defuntos, podemos refletir que aqueles homens e mulheres que vão à nossa frente fazem parte daquelas sementes e do fermento que Jesus lançou e inseriu na massa. Muitos deles tiveram uma ação social tão grande que correm o risco de nem sequer ser lembrados. Mas é no escondimento que a glória de Deus trabalha melhor.

Estamos prestes a viver a Semana dos Seminários, de 5 a 12 de novembro de 2023, e é oportunidade de contemplar nos numericamente poucos rapazes que escutam e respondem ao chamamento e estão nos Seminários em formação, em comparação com as casas formativas de há décadas atrás, em que apareciam vocações menos autênticas do que agora, com motivações muito diversas. Seja como for, os Seminários sempre procuraram, a par de dificuldades diversas próprias de cada tempo, formar homens que, regressando às suas famílias por outros caminhos de entrega vocacional e profissional, foram e são um grande contributo para o desenvolvimento sócio-económico-religioso da sociedade. Todos, quer os que seguiram pela via do Sacerdócio ministerial, seja os que continuaram a caminhar pela via do Sacerdócio batismal, procuraram ser “sementes” qualificadas e “fermento na massa” para a transformação da sociedade.