Rm 8, 12-17; Lc 13, 10-17
Se amarmos a Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa alma e com todo o nosso espírito ou entendimento, certamente faremos o que Deus faz constantemente por Jesus Cristo, no Espírito Santo: a inclinar-se constantemente sobre o ser humano, para o ajudar como “bom samaritano da humanidade”. Por outras palavras: se nos elevarmos com todas as nossas forças para Deus, desceremos ao nível dos irmãos para os ajudarmos à Sua semelhança. Foi para isso que o Senhor chamou os seus discípulos ao cimo do monte: para descer às planícies (cf. Lc 6,12-19) Para isso é preciso ler o Antigo à luz do Novo e vice versa.
Em Lucas, as narrações das curas sabáticas têm em vista a superação da mera observância ritual. Esta preocupação em Lucas era de tal maneira importante, uma vez que algumas curas não eram mortais e podiam ser transferidas para o dia seguinte sem causar qualquer transtorno para o doente, como acontece hoje com algumas solenidades em tempos fortes do calendário litúrgico.
A verdade é que é Jesus que toma a iniciativa do gesto e não a mulher curvada. Ele vê, aproxima-se e nem sequer lhe pergunta se quer ficar curada. Oferece e pronto. Ele vê os corações, não precisa que os doentes lhe dirijam uma palavra, como noutra ocasião lhe pediu um oficial do exército romano (cf. Mt 8,5-17).
Seguindo a lógica do Apóstolo, não permitir que um doente se cure ao domingo é uma obra da carne; não aproveitar o dia do Senhor para amar os irmãos na prática também é uma obra da carne. Entendamos bem o significado da castidade: ser casto é colocar o outro em primeiro lugar, não ser casto é adiar a ajuda aos outros (in-castus, que deriva no incesto).
«A ideia de fundo é que os Seminários possam formar discípulos missionários “enamorados” do Mestre, pastores “com o cheiro das ovelhas” que vivam no meio delas para servi-las e conduzi-las à misericórdia de Deus. Por isso, é necessário que cada sacerdote se sinta sempre um “discípulo a caminho”, carente constantemente de uma formação integral, compreendida como contínua configuração a Cristo»
Na missa de encerramento da assembleia sinodal, o Papa Francisco manifestou neste domingo o desejo de que a Igreja seja ao mesmo tempo adoradora e “Igreja do serviço, que lava os pés à humanidade ferida, acompanha o caminho dos frágeis, dos débeis e dos descartados, sai com ternura ao encontro dos mais pobres”. Na homilia da missa conclusiva do Sínodo dos Bispos, que desde o dia 4 decorreu no Vaticano, acrescentou: “Esta é a Igreja que somos chamados a sonhar: uma Igreja serva de todos, serva dos últimos. Uma Igreja que acolhe, serve, ama, sem nunca exigir antes um atestado de boa conduta, as acolhe, serve, ama, perdoa.” (cf. 7MARGENS)
