navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Rm 3, 21-30a; Lc 11, 47-54

É muito atual esta mensagem do Evangelho, em que os “ais” de Jesus ecoam nos “ais” dos que sofrem os efeitos malignos da guerra. Porque será que a Sabedoria de Deus, mesmo sabendo da constância do ódio e dos seus efeitos sobre os inocentes, continua a enviar à humanidade “profetas e apóstolos”? Envia-os ao oriente para socorrer na emergência e ao ocidente para nos curar da indiferença. Ele vai pedir-nos contas a todas as gerações, de todo o sangue derramado “desde a criação do mundo”! Diante do ponto mais baixo a que a humanidade pode chegar, Deus encontra forma de segurar as mãozinhas que procuram apoio e proteção, nas casas que colocam as crianças e os mais vulneráveis no centro de tudo, como afirma o Fr. Ibrahim Faltas, OFM, Vigário da Custódia da Terra Santa e diretor das Escolas da Terra Santa. Ele olha para um menino que está diante da sua mãe a lutar pela vida. Ele reza a Deus para que aquele menino encontre na vida só o amor como o daquela que lhe deu a vida e que deve agora transmitir-lhe a força para não odiar.

Se Deus é só e só pode ser amor para os homens, porque é que os seres humanos são assim tão maus? Será porque quando uma árvore cresce torta, é muito difícil fazer com que endireite? Coitados dos doutores da Lei que ao tirarem a chave da ciência não entram e impedem outros de entrar. Coitados dos escribas e fariseus de outrora e de hoje, que perseguiram e perseguem terrivelmente Jesus nos profetas e nos inocentes frágeis de hoje. Como nos garante Paulo, a justiça de Deus manifesta-se independentemente da Lei de Moisés, tão infelizmente manipulada pelas tradições dos homens, mas o testemunho da Lei e os Profetas apontaram para a fé em Jesus Cristo, para que aqueles que acreditarem n’Ele tenham a vida. Deus manifesta a sua justiça com tolerância e paciência. Deus é Deus de todos, porque há um só Deus. Então, sem motivos de vanglória, todos deveríamos estar a trabalhar pela paz.

Quem já não se confrontou na sua família ou vizinhanças com problemas de heranças malfadadas? Quem já não se confrontou na prática da vida religiosa ou cristã com a impossibilidade da mudança para melhor no cumprimento da vontade de Deus, mas algumas tradições mudanças impedem de caminhar, mesmo que haja, naquele caso bons solicitadores, ou, neste, pastores, que podem por um bom aconselhamento acompanhar bem na mudança? Em vez da nacionalidade, temos nacionalismos; em vez de territorialidade, temos territorialismo geográficos ou ideológicos; em vez da paroquialidade ou diocesanidade, temos paroquialismos ou a falta de uma visão “católica” da Igreja.

Como nos inspira Thomás Halik, a melhor forma de contemplarmos intelectualmente a paciência de Deus é baixarmos todos os sinais e ambições de “triunfalismo barroco” que levam a manipulações de vário género e a uma religiosidade comercial cuja aparência presunçosamente atraente compete com o Deus que se identifica de forma escondida com as vítimas que transportam chagas. Cá para nós: o único Deus verdadeiro reVELA-Se para manifestar o seu Amor e VELA-Se novamente , para não deixar que O manipulem de forma barata.

Voltando ao debate entre os apóstolos Paulo (a justificação pela fé) e Tiago (a justificação pelas obras) e fazendo síntese (porque os dois concordam-se, porquanto têm de fazer sublinhados em contextos geográfica e cronologicamente diferentes): Paulo não defende o pragmatismo e Tiago não defende o fideísmo. De facto, obras em nome de Deus inspiradas em ideias humanas não são precisas e podem atrasar o processo de acolher a salvação de Jesus Cristo. Ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática basta (cf. Lc 11,27-28), sendo que as melhores e únicas mediações terrenas são os seres humanos, mas sem calculismos ou segundas intenções.