navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Is 25, 6-10a; Flp 4, 12-14. 19-20; Mt 22, 1-14 ─ No XXVIII Domingo do Tempo Comum A

Jesus usa muitas parábolas e comparações para nos ilustrar como é o Reino dos Céus. O que quererá isto dizer? Certamente, vemos que Jesus quer muito que conheçamos o Reino de Deus e utiliza uma linguagem para que todos entendam. E ainda mais, convida-nos a entrar nele, aceitando a vivência dos valores que o concretizam. Este discurso é sinal de que Deus quer muito entrar em contacto com a humanidade inteira e que a humanidade viva a plenitude da vida.

Hoje em dia, contemplam-se na sociedade muitos bairrismos, nacionalismos, populismos que, em última análise, dão origem às guerras entre os povos. Mas, felizmente, muito se vai fazendo para que se diluam certas fronteiras, sobretudo aquelas que destroem a defesa da dignidade humana, em vista à promoção da fraternidade, da justiça e da paz.

Jesus convida para um banquete nupcial. Não se fala da esposa, ainda, porque começa por ser importante o sentirmo-nos convidados. E é logo colocado à frente dos convidados um simples desafio, que é decidir entre duas atitudes opostas: a recusa ou a aceitação do convite real. Apesar da insistência, os convidados da parábola recusam-se a participar no festim e, alguns convidados, ainda se apoderam, maltratam e matam os servos do rei. Diante desta recusa manifestamente cruel, o rei decide abrir o banquete a todos os que aceitam entrar nele: bons e maus.

Parece que alguns grupos privilegiados socialmente, manifestam não estar à altura desta benevolência do Senhor, de forma que Deus Se volta para todos os que aceitem o seu convite. Jesus manifesta deste modo que não são necessárias qualidades como condição para entrar. Não há razões, no confronto com a bondade de Deus e dos outros na sociedade, para alguém ter vergonha. Todos são à partida, capazes de aceitar o convite para uma festa de alegria, pela qual Deus quer pôr fim a todas as discriminações. Esta atitude mostra-se-nos nos discursos do Santo Padre, o Papa Francisco, na JMJ de Lisboa 2023, ao insistir que na Igreja cabem “todos, todos, todos”. Obviamente, é para que entrem num caminho de acompanhamento que permita um crescimento para o Reino, como discípulos missionários de Jesus Cristo.

O Apóstolo Paulo é um caso de superação em saber-se viver quer na abundância, quer na penúria, não se fechando à confiança n’Aquele que o conforta em todas as circunstâncias. Nada o impede de aceitar entrar naquele festim, já nesta terra, aceitando inclusivamente a caridade dos irmãos.

O desafio que nos fica lançado é este: revestirmo-nos de Cristo para permanecermos no festim que começa aqui e não acaba mais. Para isso é preciso não ficarmos calados como o convidado sem o traje nupcial, mas dialogar com o Senhor. O chamamento exige diálogo, para que se possa vir a ser escolhido.