navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Jl 1, 13-15 – 2, 1-2; Lc 11, 15-26 ─ Na memória da Beata Alexandrina de Balazar (Arquidiocese de Braga)

No Evangelho de hoje escutámos uma das discussões sobre o poder de exorcizar. Verifica-se uma luta de poderes: o de Deus em Jesus e o príncipe deste mundo personificado por alguns dos presentes. Jesus aproxima-se de quem sofre com o poder (dynamis) dos sinais, enquanto que os seus opositores procuram os sinais do poder (“pediram-Lhe um sinal do céu”). Estes dividem para reinar, enquanto que Jesus veio curar para unir a Deus.

O que é certo é que Jesus expulsa demónios quer para libertar pessoas concretas da opressão e do sofrimento, possibilitando a sua relação com Deus e com os outros, quer para operar a batalha entre Deus e o príncipe deste mundo, para libertar definitivamente o ser humano das suas garras. Por isso, os efeitos dos exorcismos são um sinal de que o Reino de Deus já está entre nós.

Jesus veio para expulsar e destruir o poder do mal, ao qual estamos sujeitos no mundo, e Ele chama e envia os seus discípulos para fazer o mesmo em seu nome. Precisamos de O seguir por uma missão de fidelidade criativa, que implica ultrapassar de uma lógica mundana de envergar o poder, para revalorizarmos diante de todos o poder dos sinais. Precisamos de nos livrar de tudo o que se pareça com aquela sobre-excitação messiânica mal resolvida que derivou num movimento messiânico prematuro, à qual Jesus nos ajuda a reagir com a sua teologia do Filho do homem, a única que nos permite viver o “segredo messiânico” que nos permite “passar por meio dos pingos da chuva tóxica” ─ o mundanismo espiritual ─ que corrói a permeabilidade à graça de Deus. Menos palavras, mais Palavra e mais gestos de obediência à Palavra, como são os Sacramentos e escolhas pastorais de combate ao mal que impede de realizar a justiça de Deus.

Assim, na história da Beata Alexandrina Maria da Costa vemos o cumprimento do Evangelho de hoje, porque ela esteve com Jesus de forma excecional, a ponto de ser só alimentada espiritual e fisicamente por Ele, e continua a juntar com Ele, pela devoção que cresce a partir de Balasar, quer a partir da construção de um novo santuário, quer pela amplitude geográfica dessa devoção.

“Coragem, coragem, o Senhor está contigo, mesmo que O não sintas, mesmo que quase te persuadas que Ele te fugiu”.

Beata Alexandrina

Vou a S. José buscar amor, para amar a Jesus e a Mãezinha e união para com a Santíssima Trindade.

Diário Autógrafo; 15/06/1949