Jn 3, 1-10; Lc 10, 38-42
Para o mensageiro, saber do conteúdo da mensagem antes do tempo, pode dificultar a decisão de ir anunciar o que o Senhor disse, sobretudo se a mensagem é um raspanete. Quem é que quer ficar mal, com má fama, desmancha prazeres? Ontem Jonas fugiu. Hoje, levantou-se e foi. Terá por o Senhor lhe ter dito “a mensagem que Eu te direi”? Ter-se-á Jonas esquecido da malícia dos ninivitas, ou Jonas ficou atraído pelo fator surpresa da missão que o Senhor lhe estava a confiar numa segunda tentativa? Terá pensado Jonas que a mensagem iria ser mais branda? Pelo que parece não. E Ele foi na mesma. Estar dentro da baleia três dias e três noites pode ter ajudado como um retiro para ele acordar a sua vontade com a de Deus.
Os habitantes de Nínive responderam mais prontamente ao convite à conversão do que Jonas anteriormente à missão, não deixando passar mais que um dia dos três que aquela terra demorava a atravessar. Tinham um bom sistema de comunicação e uma boa resposta à autoridade do rei, que prontamente se fez exemplo.
Este episódio faz-me pensar que muitos grupos, estratos da sociedade ou setores da Igreja necessitados de conversão não deixam de ter prontidão à mesma. O que faltam é missionários da verdade que, sem hesitar, se dirijam aos mesmos com convicção. As qualidades humanas que servem de veículo ao desenvolvimento podem, também, servir para a mensagem salvífica se esta for transmitida com assertividade. Vimos isto acontecer na pandemia, quanto à defesa da saúde pública. Porque não em relação à salvação das almas?
O que nos impede de escolher a melhor parte, como Maria? O muito serviço? Que parte é aquela? Sem rodeios: é Jesus, Ele mesmo. A sua presença. Se é Ele a fonte de todos os bens, porque hesitar em estar com Ele. Ele nos indicará o que é preciso fazer, sem nos ocuparmos demasiadamente preocupados com o que, por vezes, não é preciso fazer? Ou, pelo menos, não é preciso fazer de um modo frenético, para agradar a objetivos que não é o Mestre que no-los impõe.
Escolher a melhor parte implica estar abertos à surpresa do que Jesus tem para nos revelar, aquém da rotina quotidiana. O anúncio de Jesus, naquela casa em Betânia, não tem nada a ver com ameaças, mas um convite a olhar para a vida sem aquela usurpação de território como estão a fazer os terroristas em relação aos judeus inocentes. A mensagem de Jesus leva-nos, como lembra o Papa Francisco, a anunciar por atração e não por proselitismo.
Comemora-se hoje o Dia Mundial da Saúde Mental. Este dia visa chamar a atenção pública para a questão da saúde mental global, e identificá-la como uma causa comum a todos os povos, ultrapassando barreiras nacionais, culturais, políticos ou sócio-económicas. Combater o preconceito e o estigma à volta da saúde psicológica é outro dos objetivos do dia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a saúde mental uma prioridade e defende que a questão da saúde mental não é estritamente um problema de saúde. As Irmãs Hospitaleiras celebram a Semana da Saúde Mental, com o tema “Saúde mental por dentro e por fora“. Ao promoverem esta semana, estas irmãs sabem o quanto o estigma dificulta a vida das pessoas que sofrem de doenças mentais, afirmando que todos podem contribuir para a criação de uma comunidade mais inclusiva, apoiante e que respeita a diversidade humana. Em Portugal, a maioria dos que sofrem perturbações mentais são as mulheres e as pessoas com menos acesso à educação e com baixas condições de vida, estimando-se a presença de 100 mil doentes esquizofrénico. Na oração universal de hoje, peço para que na sociedade e na Igreja não faltem casas como estas, “betânias” onde todos sejam acolhidos como são e possam ter oportunidade de uma assistência espiritual que promova o encontro com Cristo que tudo pode curar, a partir dos cuidados a todos os níveis, no meio deste mundo onde, muitas vezes, as pessoas são substituídas por coisas e por um frenesim que faz perder o sentido verdadeiro da vida humana.
