Is 5, 1-7; Flp 4, 6-9; Mt 21, 33-43 ─ no XXVII Domingo do Tempo Comum
Escutámos uma parábola que Jesus dirigiu a um auditório representado por príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo. Na sequência do que tinha sido profetizado por Isaías, Jesus alerta-os para o que está a acontecer com a história da salvação: Israel, o povo amado pelo Senhor pela forma como cuidou dele ─ semelhante aos cuidados que um agricultor atribui à sua vinha ─ não escutou os profetas enviados por Deus, como também não dá ouvidos a Jesus, que está para ser rejeitado e condenado à morte.
Deus é um proprietário que anda à procura de arrendatários que cuidem da sua vinha, quer dizer do seu povo, de forma a que possam produzir os frutos esperados de justiça e de retidão. Reparemos que Deus é capaz de confiar o seu tesouro a pessoas concretas, que possam levar a cabo o seu projeto. E, no caso de uma má administração, como Deus faz? Vinga-se? Não. Ele pega na “pedra angular” (Jesus Cristo) que é objeto do seu amor (Espírito Santo) e entrega-a a arrendatários que possam corresponder aos seus desígnios.
Podemos cair na tentação de que esta parábola se refere ao passado. Já Bento XVI, tentando demonstrar como esta parábola permanece atual, dizia: «Declaramos que Deus morreu, de modo que nós próprios sejamos deus! Finalmente, já não somos propriedade de outro, mas os únicos donos de nós mesmos e proprietários do mundo». Ainda mais atual que esta demonstração é o magistério do Papa Francisco, com a encíclica Laudato Si’ e a exortação apostólica Laudate Deum: onde se acusa o problema da ambição tecnocrata no uso de um poder humano que se tem vindo a revelar sem responsabilidade e destrutivo nesta casa comum que é a mãe terra. Também o Santo Padre é alvo de ceticismos e contrariedades, nomeadamente quanto ao empenho sinodal que significa caminhar na comunhão e na responsabilidade.
Como é que podemos corresponder como cristãos e como comunidade ao projeto divino?
Sigamos os conselhos de São Paulo:
1) Apresentar os nossos pedidos a Deus em todas as circunstâncias, uma vez que, diante dos desafios que Ele nos oferece para crescermos em resposta ao seu amor, somos frágeis e pecadores;
2) Ter no pensamento tudo o que é verdadeiro e nobre, justo e puro…
Enfim, ter a Cristo como pedra angular, não deixando que ninguém ocupe o lugar d’Ele nas nossas vidas.
