Esd 6, 7-8. 12b. 14-20; Lc 8, 19-21
Sabemos como as comunidades paroquiais, assim como as dioceses precisam da ajuda dos poderes políticos e económicos locais e estatais para a construção e recuperação dos seus templos e imóveis ligados à vida da fé. Esta colaboração exige que haja boas relações e uma comunicação assertiva e transparente, dentro dos enquadramentos legais vigentes. A colaboração dos leigos nesta matéria, respeitando as suas competências profissionais, é imprescindível para os pastores. Estes, por sua vez, são chamados a tecer com os que governam relações de mútua confiança. A amizade social tem de estar na ordem do dia, quer para se fazerem valer os direitos humanos, assim como para profetizar os valores que convictamente se professam. É inegável a convivência de uma ajuda mútua, na concorrência ao bem comum.
Da parte das comunidades, augura-se que a construção, hoje mais rara, ou a recuperação de um espaço de culto corresponda ao crescimento espiritual para que a comunidade se constitua como Família de Deus. O ser Igreja ─ Família de Deus é ir mais longe do que as relações humanas (de sangue) ou de amizade social. Estes precisam de ser ponto de partida, como fizeram Maria e os primos de Jesus. O ponto de chegada é outro: a realização prática da Palavra de Deus.
Em Doutrina Social da Igreja, aprendemos que é preciso gastar dinheiro com o culto, senão não será possível gastar dinheiro na caridade. As instituições da caridade nasceram à beira de instituições de culto. Onde está presente a Igreja, estão presentes soluções que a sociedade humana, sozinha, não conseguira suportar. A motivação para se fazer a caridade, acessível a todos, vem da realização do culto.
Neste artigo do Expresso, descobrimos que “a palavra cura”, sobretudo quando mediada por boas relações humanas. Quanto mais a Palavra de Deus! Então, são precisos tempos e espaços para a escuta da Palavra de Deus, sendo que a prática da mesma terá de acontecer em todos os dias e em todos os espaços, em favor de todos os seres humanos. No concreto de ações de caridade, que não se pagam, mas realizam-se em favor daqueles que pouco ou nada têm. Para isso é preciso o encontro à mesa, prefigurador e continuador da Eucaristia, onde se fazem parcerias entre sensibilidades e possibilidades.
O Livro de Esdras continua a fazer-nos contemplar a parceria entre reis e o povo. A libertação do povo é promessa de Deus e a concretização da mesma implica a obediência e a responsabilidade, a concretizar quer por construtores, quer por sacerdotes, quer por Levitas. O Papa Bento XVI, na sua hermenêutica da continuidade entre o Antigo e o Novo Testamentos, chega a sugerir que os sacerdotes são os padres/presbíteros e os levitas são os diáconos. A missão da reconstrução é uma tarefa partilhada e não solitária. O padre da notícia acima, sozinho, não conseguiria resolver a necessidade quer dos remédios para os idosos de um lar, nem a necessidade da escuta e de uma palavrinha que os possa ajudar a viver na paz. Haja pessoas de boa vontade, com as quais os padres possam contar na sua missão; e haja padres que sejam capazes de interagir com elas nos diversos lugares da sociedade civil.
Hoje, rezo para que a reconstrução ou manutenção dos nossos espaços de culto, de catequese ou de ação social da Igreja, andem juntos, de mãos dadas, com a escuta da Palavra de Deus, para que o bem que Deus deposita na sua Família vá ao encontro de todos.
