navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

1Ts 2, 9-13; Mt 23, 27-32

Jesus usa duas imagens para combater o legalismo postulado pelos escribas e fariseus: a dos sepulcros caiados e os túmulos dos profetas martirizados.

Os judeus consideravam os sepulcros lugares impuros e costumavam pintá-los de branco, sobretudo pela Páscoa, para que em peregrinação a Jerusalém quem os visse pudesse afastar-se para não ficar impuro.

Quanto aos túmulos de homenagem aos profetas martirizados, parece ter surgido no judaísmo contemporâneo a Jesus uma espécie de culto àqueles profetas e aos grandes homens da história do povo, como por exemplo os monumentos ou capelas expiatórias como as que foram construídas a Abraão, a Isaac e a Jacob.

O tema central desta passagem resume-se na maldade do espírito farisaico que está no facto de, sob o pretexto de cumprir a Lei, se pretenda iludir as suas mais profundas exigências. Os legalistas são uns “fora da Lei” uma vez que só se prendem à sua aparência, como se fossem roupa ou cosmética sem corpo. Costuma dizer-se que o fundamentalismo é a falta de um fundamento (no caso o Fundamento primeiro e último que está diante dos escribas e dos fariseus). A hipocrisia está no vangloriar-se da Lei sem a cumprir. O mesmo chavão serve para os que se vangloriam em cumprir para se ter prestígio diante dos homens.

A ignomínia maior era o facto de os escribas e fariseus estarem a preparar-se para perseguir e matar Jesus e, mais tarde, os seus discípulos. E Jesus sabia-o, como, aliás, avisava os seus discípulos do seu mesmo fim. Paulo soube-o também e, por isso, trabalhava incansável e irrepreensivelmente pela única Palavra pela qual nos devemos deixar gloriar (não van─): a de Deus.