navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Lc 24, 13-16.28-35 ─ Refletir o caminho dos discípulos de Emaús quando nos confrontamos com o mistério da morte

Em momentos como este em que somos invadidos pelo mistério da morte, podemos repetir em nós a experiência dos discípulos de Emaús. Na experiência sofrida da partida de um ente querido, também nós fazemos a experiência da desolação e da noite que cai com os seus medos, dúvidas, saudades. O Evangelho pode ajudar-nos a ficar ligados à memória do nosso ente querido, sem, porém, nos permitirmos de regredir à infância (que é o que “Emaús” ao fim e ao cabo simboliza). Sobretudo se o ente querido que parte é um pai ou uma mãe, os seus filhos são como que “setas” atiradas para a frente, na sua história, que jamais poderão vir para trás, para que os seus sonhos neles depositados não se percam, mas progridam.

Também, nesta hora, em que as palavras são pouco para descrever o que vivenciamos junto da morte, é hora de pedirmos a Jesus que fique presente. As suas palavras no caminho apontavam não só para as histórias partilhadas, mas também para o seu sentido. É assim que pode acontecer com as memórias que retemos a respeito dos nossos entes queridos: lembramos momentos positivos vividos juntos, para lhes tirarmos o sumo que nos permite viver bem.

Lembrar histórias e momentos bons passados juntos (em presença) faz arder o coração; estar junto dos que sofrem uma perda com a compaixão, ajuda a minimizar as dores provocadas pela ausência.

A compaixão é, talvez, a mais bela face do amor. É por ela que os seres humanos poderão encontrar razões para viver em contínuo estado de missão, junto daqueles a quem o sofrimento por uma perda esconde do olhar as razões de continuar a viver a esperança com alegria e positividade.

Viver e celebrar o momento da partida de um ente querido com fé é darmo-nos a possibilidade de pensar que a sua vida não foi em vão, porquanto é campo semeado com frutos que os vindouros (e já porventura os filhos) saboreiam.