Ap 11, 19a; 12, 1-6a. 10ab; 1Cor 15, 20-27; Lc 1, 39-56 ─ Na Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria
A afirmação do prefácio da liturgia contida no título deste artigo é uma síntese do que celebramos nesta solenidade. O dogma da assunção de Maria à glória celeste em alma e corpo proclamado solenemente por Pio XII em 1950 é útil para a nossa alegria, sabendo que depois da Ressurreição de Jesus, primícia da nova humanidade, a nossa humanidade já começou a ser introduzida na Sua glória através de Maria. O mistério da assunção reflete a esperança, já tornada realidade, da vida que se prolonga pela eternidade vencendo a própria morte.
Conforme Maria viu o nascimento do seu Filho Jesus Cristo, nosso salvador, como descreve a visão de João no Apocalipse ─ o dragão cor de fogo que quer devorar o filho logo que nascesse ─ também o Santo Padre, num dos discursos na JMJ Lisboa 2023 afirmou:
Penso em tantas crianças não-nascidas e idosos abandonados a si mesmos, na dificuldade de acolher, proteger, promover e integrar quem vem de longe e bate às nossas portas, no desamparo em que são deixadas muitas famílias com dificuldade para trazer ao mundo e fazer crescer os filhos.
PAPA FRANCISCO, Encontro com as autoridades, com a sociedade civil e o corpo diplomático
No entanto, Maria é aquela “mulher solícita e apressada”, que não se deixa ficar fechada nem com medo, mas antes, resiste, para fazer duas coisas importantes na nossa vida: acolhe-nos, seja em que circunstâncias nós nos encontrarmos, e indica-nos Jesus. Leva-nos a Jesus com os nossos pedidos e, depois, como nas Bodas de Caná, pede a Jesus que nos atenda (cf. Discurso do Santo Padre em Fátima).
Maria não é protagonista, mas mediadora do protagonismo de Jesus na nossa história. Como Ela, também nos nos “levantamos e partimos, porque Deus veio ao nosso encontro” (cf. Catequese do cardeal Tolentino: Os desafios do lema das JMJ de Lisboa).
Estamos aqui hoje, também nós, diante de Maria glorificada, para lhe fazermos as perguntas que o Papa Francisco sugeriu em Fátima, no passado dia 5 de agosto:
Mãe, o que é que me estás a indicar?
O que há na minha vida que Te preocupa?
O que há na minha vida que Te entristece?
O que há na minha vida que Te chama a atenção?Indica-mo!
É por meio desta oração confiante que podemos, como sugere o Apóstolo Paulo, passar do homem velho simbolizado por Adão, para o homem novo que é Cristo. Para que quando Cristo entregar todo o seu Reino ao Pai celeste nós estejamos nele, livres da morte eterna.
Se achamos que a luta para seguirmos Jesus por intermédio de Maria, ainda assim, é grande e desmedida em relação às nossas forças, comecemos por fazer como Ela: acreditar em tudo quanto nos é dito da parte do Senhor; ou como Pedro que ouvimos neste domingo passado: gritemos “salva-me Senhor”. Maria escuta todos os nossos “ais” e nenhum deles passará, por seu intermédio, despercebido junto de Deus. Por isso, esta nossa Mãe é causa da nossa alegria!
