Mt 13,10-17
À primeira vista, ao escutarmos este evangelho, as palavras de Jesus podem dar-nos a impressão de que a compreensão da Palavra de Deus é para uma elite predestinada. No entanto, no decorrer da narrativa, percebemos que o facto de Jesus falar em parábolas para todos, ainda que não compreendendo o seu sentido, pelo menos leva-os a ficar ancorados na possibilidade de abrirem o coração à compreensão das mesmas, como discípulos que se expõem à conversão.
Na disciplina chamada “Soteriologia” (estudo da salvação humana), do Curso Filosófico-Teológico, aprende-se que existe a “graça suficiente” dada pela vontade de Deus a todos e a “graça eficaz” permitida pela vontade humana individual. No evangelho de hoje, escuta-se um certo lamento de Jesus diante daqueles que não se querem expor à possibilidade de compreender com o coração as suas parábolas, de modo a que possam converter-se e ser curados por Ele.
Como sugere o Rev.mo Cónego João António Pinheiro Teixeira, é necessária a «”pastoral da estafeta”: quem participa é chamado a convidar outros a participar». Quem caminha como discípulo de Jesus Cristo, não pode pensar meramente na própria salvação. É próprio da vocação cristã trabalhar pela salvação dos outros (dimensão redentora da vocação) e não meramente na própria felicidade eterna (dimensão criatural da vocação).
