navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Sir 44, 1. 10-15; Mt 13, 16-17 ─ Na memória dos Santos Joaquim e Ana, pais da Virgem santa Maria

Ainda há poucos dias, no domingo passado (XVI Domingo do Tempo Comum), celebrámos o III Dia Mundial dos Avós e dos Idosos. O Papa Francisco convidou-nos, este ano, a refletir o tema «De geração em geração, a sua misericórdia» (cf. Lc 1, 50). Com este tema, o Papa levou-nos a um encontro abençoado entre Maria e Isabel, que o Espírito Santo abençoa e acompanha fecundando a relação intergeracional.

A celebração de hoje, faz-nos olhar para a geração dos pais de Maria, avós de Jesus, que viveram no período entre o Antigo e o Novo Testamento. Ana e Joaquim são um casal cujos nomes são ricos de significado: Joaquim significa “Deus concede” e Ana significa “Graça”. Os seus nomes não vêm escritos na Bíblia, só os conhecemos pela Tradição, mas deduzimos a sua santidade pelo fruto da santidade de Maria. Dizia Jesus: “pelos frutos os conhecereis”.

D. Nuno Almeida refletiu que «na nossa sociedade há pouco espaço para os anciãos, mas a história ensina-nos que a velhice não é impedimento para a criação de obras imortais. Bastaria pensar em Verdi, Miguel Ângelo, Tolstoi, que escreve “Ressurreição” aos 71 anos e tantos outros [poderíamos acrescentar aqui Santa Teresa de Ávila que escreve “As Mansões” aos 60 anos]. Falamos de grandes expoentes da arte, mas artistas da vida de cada dia podemos e devemos ser todos nós, pois a “arte de viver”, sempre ligada à “arte de amar”, é a mais nobre de todas. Trata-se de não renunciar nunca aos próprios ideais, pois se os anos enrugam a pele, perder os ideais enruga a alma».

Maria, ao nascer, não só tirou dos ombros dos pais o peso de uma vida estéril, mas ainda recompensou-os pela fé, ao ser escolhida no futuro para ser a Mãe do Filho de Deus. Maria recebeu no lar formado por seus pais todo o tesouro das tradições da Casa de David que passavam de uma geração para outra; foi no lar que aprendeu a dirigir-se a Deus com imensa piedade; foi no lar que conheceu as profecias relativas à chegada do Messias. São Joaquim e Santa Ana foram, no seu tempo e nas circunstâncias históricas concretas, um elo precioso do projeto da salvação da humanidade. O Papa São João Paulo II ensinou que São Joaquim e Santa Ana são “uma fonte constante de inspiração na vida quotidiana, na vida familiar e social”. E exortou: “Transmiti mutuamente de geração em geração, junto com a oração, todo o património da vida cristã”. Que hoje possamos pensar na nossa família, rezar por ela e pedir a Deus que nos ajude a manter unidos todos nossos familiares. [Fonte]

Por estes dias, nos chamados “Dias Nas Dioceses” que antecedem a JMJ Lisboa 2023, muitos jovens cristãos de outras culturas e línguas vão-se encontrar com as nossas famílias e instituições, com alguma probabilidade de se encontrarem com alguns dos nossos idosos. O misterioso desígnio deste encontro mundial dos jovens com o Santo Padre, que também é um idoso, tem como finalidade fazer-nos reparar a todos que a grande história da salvação da humanidade por Deus é uma história feita de etapas e de gerações que se entre-cruzam para tecer uma história sempre maior que integra a todos e não descarta ninguém. Como refere o Papa Francisco na mensagem já indicada, «o Senhor espera que os jovens, ao encontrar os idosos, acolham o apelo a guardar as memórias e reconheçam, graças a eles, o dom de pertencerem a uma história maior. A amizade duma pessoa idosa ajuda o jovem a não cingir a vida ao presente e a lembrar-se que nem tudo depende das suas capacidades. Por sua vez, aos mais velhos, a presença dum jovem abre à esperança de que não se perderá tudo aquilo que viveram e se vão realizar os seus sonhos».