Gn 15, 1-12. 17-18; Mt 7, 15-20
Não está escondido aos olhos dos mais simples e, sobretudo, dos que procuram Deus que, na hora em que se aproximam das comunidades dos crentes, tudo parece muito complicado. Este facto lembra-me daqueles jovens crismados que um dia, lá em Roma, tiveram um encontro com o Papa Francisco e tiveram a oportunidade de lhe perguntar: Santidade, sabemos que precisamos de viver a fé na prática, mas ensinaram-nos tantas doutrinas que viver a fé tornou-se uma complicação. O que sugere para que o nosso caminho cristão seja mais simples? E o Papa Francisco disse-lhes: quereis viver de modo que possais ir imediatamente para a vida eterna? Ao que responderam contentes: claro, queremos! Então ide praticar o que se lê no capítulo 25 de Mateus. Ora, o que ali se recomenda como súmula do ser cristão é, nada mais, nada menos que as obras de misericórdia que será de base ao juízo final.
Hoje, Jesus alerta-nos, contra os falsos profetas. Este ensinamento serve quer para os líderes religiosos, quer para os cristãos em geral. Pode ser que se seja falso profeta por defeito ou por excesso. Por rigidez (como a que plasma a perversão do clericalismo) ou por permissividade. A vivência da verdadeira fé é tanto um apelo ao essencial no que somos chamados a crer como no que somos chamados a praticar. O Catecismo da Igreja Católica é uma boa síntese do Evangelho e da Tradição com que a Igreja procura ser fiel ao seu fundador. Mas o que ele contém não deve ser meramente defendido por palavras; é preciso tender gradualmente a viver os ideais que ali estão propostos, a saber:
1) Primeira Parte ─ A PROFISSÃO DE FÉ
2) Segunda Parte ─ A CELEBRAÇÃO DO MISTÉRIO CRISTÃO
3) Terceira Parte ─ A VIDA EM CRISTO
4) Quarta Parte ─ A ORAÇÃO CRISTÃ
As quatro partes estão ligadas entre si: o mistério cristão é o objeto da fé (primeira parte); é celebrado e comunicado nos atos litúrgicos (segunda parte); está presente para iluminar e amparar os filhos de Deus no seu agir (terceira parte); funda a nossa oração, cuja expressão privilegiada é o “Pai-Nosso”, e constitui o objeto da nossa súplica, do nosso louvor e da nossa intercessão (quarta parte).
JOÃO PAULO II, Fidei depositum
