Ex 19, 2-6a; Rm 5, 6-11; Mt 9, 36 – 10, 8
O caminho do êxodo na história da salvação não acontece porque o ser humano é bom, mas porque Deus é bom. Ele manda dizer que transportou o povo “sobre asas de águia” e o levou até Ele, para fazer dele um povo sacerdotal, nação santa.
Para interpretar a quem se destina o canto dos Anjos que dão “glória a Deus” após o nascimento do Emanuel, Joseph Ratzinger afirma:
Todo o testemunho da Sagrada Escritura não deixa nenhuma dúvida sobre o fato de que nem uma nem outra dessas posições extremas é correta. Graça e liberdade compenetram-se mutuamente, e não podemos
Joseph Ratzinger, A infância de Jesus, p. 87.
encontrar fórmulas claras para exprimir o seu operar uma na outra. A verdade é que não poderíamos amar se primeiro não fôssemos amados por Deus; a graça de Deus sempre nos precede, abraça e sustenta. Mas é
verdade também que o homem é chamado a tomar parte nesse amor; ele não é um simples instrumento, sem vontade própria, da omnipotência de Deus: pode amar em comunhão com o amor de Deus, como pode também
recusar esse amor.
Portanto, Jesus, na sua encarnação, é o “pranto” de Deus sobre a humanidade que caminha muitas vezes decaída, não meramente porque ande afastada de Deus, mas, como vê Jesus, andam “como ovelhas sem pastor”, quer dizer, com falta de líderes que ajudem a encontrar o sentido verdadeiro da vida.
Como que por uma estratégia gradativa, após a manifestação de compaixão, Jesus sugere que os discípulos peçam ao Senhor da messe que mande trabalhadores para a sua seara. Esta atitude sugere que o Senhor já tem noção do que se passa com a humanidade, o que Ele quer é que, na sua experiência de fragilidade, a humanidade manifeste a sua liberdade ao pedir a intervenção da graça do Senhor. Portanto, o Senhor tem uma bonança para dar de graça ao ser humano; para já, é preciso que o ser humano queira livremente deixar-se guiar pela graça de Deus.
A seguir, o Mestre, que não fala só, mas age em favor do povo, exemplifica com o chamamento dos Doze a resposta de Deus aos “gemidos” inefáveis do povo que precisa de libertação das suas opressões, enviando-os com seis ações, entre as quais a proclamação de que o Reino já está perto, a justificar as que se referem ao cuidado para com os outros ─ o culto que mais agrada a Deus: Curar, Ressuscitar, Sarar, Expulsar demónios, Dar de graça.
Neste agosto de 2023, o Santo Padre vem a Portugal para estar com os jovens do mundo inteiro. Vem para ser sinal daquela compaixão de Jesus diante das vicissitudes vividas pelos mais novos da sociedade. Vamos estar atentos aos desafios que nos vão ser lançados no acompanhamento dos jovens, para que a liderança seja atualizada apoiada no estilo de Jesus.
