navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Ef 1,3-6.11-1; Lc 1,26-28, na Festa da Virgem Santa Maria do Sameiro, em Braga

O anúncio que se proclama em Lc 1,26-28 foi o início de uma caminhada que levou Maria a subir ao monte e a transpo-lo até à casa da sua prima Isabel. Este é leitmotiv que levará muitos jovens a partir das suas comunidades para o monte do grande encontro da JMJ Lisboa 2023, do qual descerão às suas vidas iluminados com a mensagem que o Mestre lhes quiser entregar pelo Papa Framcisco. É curioso que, segundo os relatos publicados no site do Santuário do Sameiro, também o P. Martinho António Pereira da Silva, passeando do Bom Jesus até ao cimo do monte, num certo dia do mês de setembro de 1861, entendeu que este tinha condições para aí se erigir um monumento perpetuador do júbilo bracarense pela proclamação do dogma da Imaculada Conceição, pelo Papa Pio IX em 1854. Portanto, sete anos depois.

No meu modo humilde de ver, a raiz da construção deste segundo Santuário Mariano em Portugal não é meramente a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, pela manifestação de fé na pureza de Maria, mas também o Bom Jesus que Se carrega dentro e que impele a caminhar, como aconteceu com Maria: Deus semeou o Amor dentro d’Ela primeiro (“encontraste graça diante de Deus”) e, depois, recebeu o anúncio do nascimento de Seu Filho, com a promessa de um sinal. Assim, como se relata do testemunhos dos fiéis devotos que acorrem ao cimo do monte do Sameiro, vão carregados de pedidos, desejos, dores, lutas, dramas, também ações de graças, louvores, lenitivos ou curas, bênçãos ─ é porque o Espírito de Cristo já está dentro deles. Nesta perspetiva, e em relação à proximidade com o Santuário do Bom Jesus, poderíamos pensar o Santuário do Sameiro como um lugar que impele à Visitação, porquanto ali os fiéis vão a confirmar a sua fé num encontro que se assemelha ao de Maria com o Arcanjo, num primeiro plano, e sua prima Isabel, num segundo plano.

Portanto, a construção e a existência deste Santuário mariano pereniza não só a alegria da proclamação deste último dogma mariano, como também a consciência de que, no meu humilde ver, se Maria nos leva até Cristo único Redentor, não deixa de ser verdade que Cristo também nos leva até Maria co-Redentora da humanidade, patente na circularidade espiritual filiação-maternidade. A vista panorâmica que do zimbório se tem a 360 graus, leva não só a perderem-se os limites do horizonte, mas também a perderem-se ─ graças à atração que nos vem do mais elevando Horizonte da vida, pelo Amor de Deus ─ os medos que impedem a alma de ser mais leve, como se testemunha no mesmo site do Santuário referido acima:

Respira-se muita paz. O mundo ganha calma. O relógio abranda.
E quando o rebuliço pousa, abrem-se o coração e a mente.
E então que a Mãe ouve; é então que a Mãe fala; é então que a ouvimos a Ela; é então que ela escuta toda a nossa vida. A cabeça cai sobre o Seu colo, e as Suas carícias caem sobre nós. O povo sente, no Sameiro, esse carinho, esse aconchego, essa ternura que enlaça quem ao monte sobe, com quem no monte a todos recebe.

Neste dia peço a Nosso Senhor, através da Virgem Maria do Sameiro,

Pelos educadores e professores que estão a chegar ao final de mais um ano letivo extenuados, sobretudo aqueles que vejo “a chorar levando as sementes”, sem vislumbrar o canto que agradece “os molhos de espigas” (cf. Salmo 125/126).

Para que a vivência da Jornada Mundial da Juventude em Portugal lhes traga renovada esperança de que vale a pena continuar a apostar na educação/formação da juventude. Oremos, irmãos.