navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Rm 12, 9-16b; Lc 1, 39-56, na Festa da Visitação da Virgem Santa Maria

O Evangelho desta festa mariana é o leitmotiv da preparação e vivência da JMJ Lisboa 2023. Portanto, muitas coisas se têm certamente dito sobre este texto, como forma de entusiasmar os jovens (e não só) a viver este grande acontecimento. O aspeto que mais me surpreende é a motivação que faz Maria “pôr-se a caminho” e a dirigir-se “apressadamente” para a montanha, em direção à cidade de Judá onde se encontra sua prima Isabel. E essa motivação está inscrita no momento da Anunciação, feita pelo Anjo a Maria: «O Espírito Santo virá sobre ti e o poder do Altíssimo te envolverá. Por isso, o que é concebido santo será chamado Filho de Deus. E eis que Isabel, tua parente, também ela concebeu um filho na sua velhice e este é o sexto mês para ela, a quem chamavam estéril, porque nenhuma palavra que vem de Deus é impossível» (Lc 1, 26-38). Nesta declaração do Anjo, Maria vê o seu “susto” resolvido e declara o seu Sim.

Portanto, no princípio do caminho está um “Sim” dado com fé à Palavra de Deus. No horizonte do caminho está o sinal que confirma a razoabilidade desse sim. Diz D. Tolentino Mendonça que o que faz mover Maria é poder “

confirmar a experiência da sua fé; Maria tem fome e sede de ver com os seus olhos; quer tocar a condição tangível e histórica dessa verdade que lhe foi anunciada e que a coenvolve. Por isso, a pressa de Maria não deve ser entendida simplesmente em sentido físico: é dentro de si, no seu coração que Maria tem pressa, que Maria vibra na expectativa de Deus. A sua pressa é uma disposição interior, um estado de espírito, o vivo desejo de contemplar alguma coisa que ocupa agora o centro do seu coração. Maria quer ser testemunha. Ela tem a pretensão – que é, no fundo, aquela de todo o coração crente – de verificar que os sonhos de Deus não se dissipam no nada como bolas de sabão no tempo, mas transformam efetivamente a vida, rasgando-a a uma esperança maior do que ela própria.

Card. José Tolentino de Mendonça

Paulo, ao exortar aos romanos (e a nós também) que a sua caridade seja sem fingimento, está a dizer isso mesmo: que a caridade transporte dentro Jesus Cristo e a consciência das suas promessas. O caminho pessoal e comunitário, sob esta perspetiva, não nos levam ao acaso e por nada, mas para um horizonte preciso onde confirmaremos todos as promessas de Deus que se resumem na salvação da humanidade.

Que cada um de nós saiba vislumbrar em cada versículo ou trecho da Palavra de Deus a resposta a uma inquietação, o convite a movermo-nos e o sinal que justifica este movimento.