São dois os atributos que, ao mesmo tempo, a Liturgia nos leva a contemplar em Cristo Rei: o de Justo Juíz e o de Bom Pastor. Ele é a “porta estreita” que um dia nos irá acolher e também o guia paciente que hoje nos conduz.Exigência e tolerância são duas palavras que parecem contraditórias, mas talvez se completem. Exigência é a imposição de um valor pelo valor em si mesmo; ou então o acto de exigir que alguém manifesa a outrem. Toleráncia é definida pela psicologia como capacidade de resistir ou de fazer frente a uma sobrecarga; também significa uma atitude permissiva frente a concepções ou comportamentos noutras pessoas distintos dos que tem o sujeito. Juntamente com o respeito, a tolerância corresponde a uma fase elevada no desenvolvimento da personalidade.
Estas definições simples já nos bastam para percebermos que estes valores são complementares. Formam como que uma pergunta e uma resposta: porque não responder com a tolerância à exigência, sobretudo quando esta corresponde a uma valor mais elevado. A complementaridade entre a exigência e a tolerância dependerão do nível de correspondência entre a exigência e os valores que lhe estão na base e no objectivo; assim como a tolerância corresponderá como resposta válida se for verdadeira e recíproca. De outra forma, a exigência poderá tornar-se escravidão inútil e a tolerância permissivismo destrutivo.
Maravilhosa é a pedagogia de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, modelo único no julgar com verdade e no tolerar com lucidez e misericórdia.
