navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Na medicina, “placebo” é um medicamento inerte ministrado com fins sugestivos ou psicológicos, que pode aliviar padecimentos unicamente pela fé que o doente tem nos seus poderes (Do lat. placébo, «agradarei», 1.ª pess. sing. do fut. do ind. de placére, «agradar»).
Aplicada aquela palavra à vida espiritual, poderá significar o que às vezes acontece com algumas práticas devocionais: não têm nenhum mal em si mesmas, mas, por vezes, são substitutas do verdadeiro remédio.
“Placebos espirituais”, por trabalharem na base da sugestão da pessoa, podem denotar a acentuação de um certo individualismo. Por exemplo: a Igreja, na sua organização da vida litúrgica, já nos dispõe os “remédios” necessários para a nossa vida espiritual sã: os Sacramentos, a Palavra. Ao mesmo tempo, integra, nas suas propostas, algumas acções da piedade popular, oportunas para encher a vivência de liturgia de mais afecto.
Então é caso para perguntar: o que fazem a água benta fora dos hissopes e das pias ao fundo das igrejas? Para quê gestos espirituais não reflectidos? Onde está o porquê da obsessão de algumas repetições na oração?
Quando fazemos, naquilo que é “ordinário” na sacralidade do tempo comunitário, preenchido também pela devida piedade pessoal, que é um dom do Espírito Santo, o que ficará por fazer, a prática da caridade, que a tudo dá sentido? Alguns “placebos espirituais” poderão ser uma escusa para a prática imediata daquilo que se reza, um “santuário fechado”, no qual não se deixa entrar ninguém a não ser o “self” anestesiado pela própria opinião, que se serve quando e quanto quer.