navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Celebrar a Solenidade de Todos os Santos e a memória dos Fiéis Defuntos é uma ocasião ideal para reflectir sobre o “chamamento universal à santidade”.
Em primeiro lugar, convém “desamarrar” a palavra do medo instaurado por representações falsas de santidade.
Uma breve viagem pela história bíblica ajuda-nos a instaurar uma visão mais realista deste chamamento:
No Antigo Testamento, as mediações da santidade eram os ritos, os lugares privilegiados, as prescrições da Lei. Não estar em conformidade com estes, era estar fora do caminho da santidade. O motivo fundamental da santidade é este: Deus é Santo. Três vezes Santo. O louvor de Isaías – qadosh, qadosh, qadosh (Santo, Santo, Santo) – transmite-nos a ideia de um Deus que é transcendente e que existe para além das nossas categorias. Ele é ab-solutus, ou seja, está acima da nossa realidade.
No Novo Testamento, apresenta-se-nos uma mediação, aliás, um único Mediador: Jesus Cristo. O conteúdo da santidade já não é a Lei, mas a relação com uma Pessoa. Jesus é o Santo de Deus. A santidade passa a ser expressão de uma conduta moral que tem como referência fundamental a mensagem de Jesus. Estar unidos a Ele é o método para ser santos.
Celebrando o Mistério Pascal de Cristo, experimentamos que a santidade é uma consequência natural da vida cristã que está ao alcance de todos, pois, mesmo que a santidade às vezes apareça representada por manifestações extraordinárias, ela não se identifica totalmente com elas, mas com a sua Fonte.
“Santos”, para S. Paulo, são os baptizados, os filhos de Deus: “santos por vocação”. Santidade, por isso, é dom e abertura a esse dom. É mística e ascese.
Sois santos. Sede santos!