navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

O desenvolvimento da psicologia por aquilo a que se chama «psicologia positiva» está a promover um novo paradigma integrativo (diferente da psicologia tradicional) que estuda as forças temperamentais e as virtudes capazes de dar à vida mais valor e mais significado. é interessante pensarmos nisto: O que é que faz com que algumas pessoas consigam ser surpreendentemente contentes e realizadas, mesmo se por vezes pareçam encontrar-se em condições de vida particularmente dolorosas, difíceis ou adversas? A psicologia positiva pretende inserir no projecto de felicidade da pessoa uma nova compreensão seja do sofrimento, seja da própria felicidade.

As virtudes cardeais que aqui se reclamam são a pridência, a justiça, a jortaleza e a temperança. Chamam-se cardeais enquando desenvolvem uma função “cardinal” para a vida moral, diante da convicção de que nada do que é autenticamente humano é estranho àquilo que é profundamente religioso.

Assim, propõem-se três “estradas para a felicidade” que integrem uma sã psicologia com as virtudes cardeais:

1. As emoções positivas e o bem-estar;
2. A vida empenhada;
3. A vida cheia de significado.

Estas três estradas merecem que façamos três perguntas:
a) Que espaço, tempo e programação damos, nos nossos percursos, ao desenvolvimento das emoções e sentimentos positivos?
b) Que acções concretas chegamos a promover para o desenvolvimento da sabedoria, do conhecimento, da coragem, da humanidade, da justiça, da temperança, da transcendência?
c) Que avaliação chegamos a meter em prática nos nossos contextos institucionais (família, escola, centros de formação, seminários…) para verificar se estamos efectivamente a promover um contescto favorável ao desenvolvimento humano?

Não podemos ainda deixar de reflectir sobre as variações culturais. Uns (sobretudo os americanos) dão aos factores inscritos dentro dos indivíduos o papel importante para o crescimento e a felicidade, outros (mais os europeus) dão mais importância aos factores ambientais e à forma com que os indivíduos interagem com eles. Inspirados pelo Evangelho deste XV Domingo do tempo Comum, podemos valer-nos da “parábola do semeador” para, sem rotulações de pessoas ou instituições, darmos conta de que, no arco da história pessoal, podemos encontrar-nos nas várias situações sofridas pela semente, conforme a sua interacção com os factores internos e externos.

Enfim, seja para as plantas, seja, com muito mais razão e importância, para as pessoas, é necessário criar um ambiente capaz de suscitar emoções e sentimentos positivos (pelo bem em si das pessoas e do que elas são chamadas a fazer aqui na terra…); é necessário promovê-las numa vida activa que lhes proporcione usar em favor dos outros os recursos pessoais; por fim, ajudar a cada um a encontrar o significado da sua existência, mesmo no meio de pedras e espinhos, sabendo que o fruto definitivo será o do Reino prometido.