Na Festa de S. Tomé temos a oportunidade de analisar a nossa possível incredulidade. Aquele Apóstolo que antes da morte de Jesus o seguia com todo o ardor, querendo ir até onde Ele fosse, tentando descobrir o caminho n’Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida, depois da ressurreição não está sempre com os outros, não acreditando que possa ser o Senhor Aquele que vem. Porquê?Porque é que acreditamos quando vemos e tocamos e nos é mais difícil de acreditar quando essa mediação não está presente aos nossos sentidos externos? A fé depende da oferta de Deus qeu nos diz «toca», ou é esforço de abertura, ou as duas coisas?
O crescimento da maturidade da fé pede-nos vários de consistência:
1. Física: é preciso estar lá, na assembleia dos discípulos, na comunhão com os irmãos, fisicamente e não somente “quando me apetecer”. Se não estiver, poderei não ter a oportunidade de «tocar» no mistério que se apresenta. Sou chamado a ser saudavelmente autónomo, desde que essa autonomia seja relacional.
2. Psicológica: mesmo estando fisicamente, não está dito que “esteja com atenção”. A atenção humanan é relativa, pois somos capazes de estar fisicamente num lado e psicologicamente noutro; podemos estar nun grupo e estar sós, etc. A proecupação é um factor psicológico (tecnicamente é um mecanismo de defesa que antecipa ou adverte a possibilidade de um perigo futuro) que nos impede muitas vezes de estar totalmente presentes num determinado encontro. Seja como for, a saudável autonomia humana é sempre dependente; e se não o é, também não será saudável. O outro é mediação para que eu seja eu.
3. Racional e espiritual: quando as “minhas razões” não dão espaço à inter-subjectividade, a busca da objectividade de um facto misterioso como o encontro com o Senhor carece de sentido. É no “nós” que tocamos o lado do Senhor.
«E não sejas incrédulo, mas crente!» Algumas traduções transcrevem «e não sejas incrédulo, mas fiel». Para vermos o Senhor, para termos a percepção mais nítida de que o Senhor está, temos, portanto de “estar” onde Ele sempre esteve e estará à nossa espera. Corramos, como S. Paulo e os outros Apóstolos, para nos encontrarmos n’Ele (cf. Fl 3,12).
