navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Este título revela a convicção de que o sofrimento, quando integrado no plano de Deus, pode ser uma forma de estarmos mais abertos à sua graça santificadora, pois reconduz o homem ao plano da humildade.

Quando falamos do sofrimento santificador, estamos a referir-nos não ao que é auto-provocado, mas ao que é inerente à condição humana. No sofrimento, como em toda a realidade do homem, há um sentido posto e um sentido dado. Um sentido posto pela revelação: Cristo sofreu por nós através de um sofrimento que tem um sentido de vida. Um sentido dado pelo próprio homem sofredor, atribuindo significado àquela realidade que sem o sentido posto por Cristo não seria possível qualquer acomodação subjectiva que ajudasse o homem a integrá-la no seu viver para uma maior liberdade obletiva.

A “omnipotência” humana é uma das resistências à graça de Deus. O sofrimento é a condição que nos ajuda a combatê-la e a desmascarar aquela condição simples e humilde que serve de base à construção do plano de Deus a respeito de cada um. É como um “ferreiro”, este nosso Deus, que, aproveitando-se do “fogo” provocado pelas nossas chagas, vai moldando este “ferro” num objecto que sirva de suporte aos seus desígnios.

Depois de moldada a peça, Deus não se esquecerá de refrescá-la com o dom da sua bondade e misericórdia de Pai. Vale a pena a docilidade no sofrimento, muito mais do que nos momentos de bem-estar e nas coisas fáceis!