navegar: da palavra… à ação

um “púlpito” para escutar:

Para quem viu o filme “Harry Potter e a pedra filosofal”, certamente reparou que a pedra que todos procuravam defender ou encontrar era o próprio protagonista do filme, o pequeno Harry. A pedra filosofal foi descrita por alquimistas na Idade Média como um composto capaz de desencadear a tão sonhada transmutação dos metais, que transformaria metais baratos em ouro ou prata a partir do rearranjo de suas propriedades.

Bem deixemo-nos de ficções! Na palavra deste domingo, o Senhor diz-nos que sensato é o homem que constrói a sua casa sobre a rocha firme (Cf. Mt 7,21-27). á todos sabemos, em suma, o que o Senhor nos quis dizer, mas habituados a saber os textos da bíblia de cor e o facto de não lhe darmos atenção renovada por uma escuta do coração (recordar) leva-nos a não descobrir a realidade e a virtualidade da palavra de Deus para a circunstância presente. Como nos inspira ao filme do Harry Potter (o cinema também é uma pedagogia que é preciso saber usar!), a “pedra” está já em quem procura, ou seja, a pessoa que procura já possui os bens para os quais tende. A transformação humana na vivência os valores cristãos é dinâmica, pois não os possuímos de uma vez por todas. Cabe ao homem procurar. Deus dá de graça a sua graça, porque a “pedra” da Palavra é teologal (oferta) e não conquista ou invenção humana.

Jesus garantiu-nos que «a pedra que os construtores rejeitaram transformou-se em pedra angular» (Mt 21,42). Esta rejeição pode ser desconfiança do dom, assim como inadequação de quem o recebe. Não percamos de vista que ao crescimento humano e espiritual concorrem vários factores que, juntos, fazem do caminho de procura um caminho dinâmico. Por vezes a rejeição é interna e, outras, interna.

Hoje, essa pedra está em cada um de nós, escondida entre falsas omnipotências e outros bloqueios. Na verdade, «a Lei está muito perto de ti, na tua boca e no teu coração, para a praticares» (Dt 30,14). É caso para cada um se perguntar:

Entre a graça de Deus que me chama e a minha resposta livre à sua palavra, poderá ou não haver possíveis resistências psicológicas defensivas de origem conflitual inconsciente que por vezes racionalizamos em favor de um bem-estar aparente e circunstancial que volta a desaparecer quendo o »mistério da graça» nos volta a incomodar?

É uma pergunta grande para um grande desafio que dura a vida toda que Deus conceder a cada um de nós!