No homem existem dois tipos de memórias: a dos factos e a das emoções a eles ligadas. Esta é a memória afectiva. É muito importante dar atenção a esta memória, pois ela representa o resíduo emotivo das emoções das experiências existenciais, sobretudo as mais significativas.No crescimento da maturação afectiva, é útil verificar, por exemplo, em qualquer relação ou acontecimento negativos da infância (esta fase é a mais marcante) o que é que permaneceu no coração dessas experiências, pressupondo que um qualquer resíduo aí ficou gravado. Há, pois, qualquer relação entre esta experiência primordial e a vida sucessiva, no presente. A memória afectiva, de facto, tende a reactivar a emoção primitiva quando se apresentam situações análogas àquelas que geraram a emoção.
Outra particularidade desta memória é levar a pessoa a agir sem a mínima consciência desta correlação; é como se fosse uma memória passiva, mas que, de facto, incide sobre a vida e sobre as relações porque por si “acorda” automaticamente. Quantas simpatias e antipatias não terão esta origem, sem que o sujeito o suspeite minimamente?! Também a relação com Deus poderá ser condicionado, positiva ou nagativamente, pela memória afectiva!
É benéfico, pois, para quem quer crescer em maturidade conhecer que tipo de memória afectiva se “transporta” dentro de si, no coração e na mente, e verificar quanto é que essa memória incide sobre as relações interpessoais, sobre a vida espiritual, sobre o modo de andar ao encontro da vida e de fazer expectativas acerca do futuro e do próprio papel vocacional, acerca da comunidade e do apostolado. Este desafio é o primeiro passo para limitar a incidência, sobretudo no caso de os condicionamentos serem negativos. No entanto, tal memória afectiva não constitui o único modo de recordar.
