Nem sempre o que nos sai pela boca é o que foi pensado pela mente. Da mesma forma, nem sempre um sentimento é fruto da emoção actual. Às vezes dizemos coisas coisas que realmente não queríamos dizer e experimentamos sentimentos que não nos agradam. Satisfeita a recta consciência moral por não encontrar a vontade durectamente inclinada para o mal, sugere-se, no plano da maturação da pessoa, desenvolver o seguinte discurso:Perguntemos, naquelas circubstâncias em que a mente e o coração nos “pregam partidas”, que força escondida estará realmente por detrás do que se disse e do que se sentiu, não só para não passarmos instantes incómodos, mas para, aprofundando a sua causa profunda, controlarmos o influsso dessa força contida na realidade subjacente ao nosso ser, maioritariamente contida no nosso inconsciente.
Com isto não se quer induzir a pessoa à redução da espontaneidade que é favorável à manifestação da indentidade de cada um. Quer-se, antes, favorecer aquela sábia auto-transcendência que leva a pessoa, porque essencialmente sedr relacional, a possibilitar a sua integração e segurança pessoal crescente e contínua, não se contentando com uma simples adaptação. Aquela transcende a pessoa, esta diminui-a à força das circunstâncias; aquela liberta, esta amarra; aquela gera identidade, esta mascara a realidade pessoal.
A pessoa que não procura conhecer-se a fundo, corre o risco de se repetir sempre como é. Buscar as razões profundas e escondidas do nosso ser, através da análise do lapsus, é como que esticar para trás um elástico que depois de largado nos projecta, com mais força, para um futuro também antes desconhecido, mas possível e necessário no projecto de vida sempre em construção. O lapsus pode ser uma “janela” aberta para o nosso desconhecido, sem a qual podemos perder a oportunidade para a tentativa do encontro com o mistério pessoal a querer apresentar-se ao ser consciente de cada um.
