A grande fé…

… será aquela que vê Deus nas pequenas coisas

e acontecimentos do quotidiano,

Aquela fé que nos faz pôr a questão:

Como Deus interfere na minha vida?

 

A resposta a esta questão nas dinâmicas espirituais como o exame de consciência, a lectio divina ou a simples meditação da Palavra de Deus, poderá seguir o modelo histórico-bíblico, em que a vida se torna um lugar de leitura iluminada da fé, levando também, a uma maturação da própria fé. A própria história é a prova mais convincente, porque mais pessoal, da presença de Deus e de um Deus não neutro e… igual para todos, mas com um rosto, uma atitude, uma palavra, um gesto que o crente sente orientado para si, inconfundível e irrepetível, assim como inconfundível e irrepetível é a existência de cada pessoa (cf. Amedeo CENCINI, I sentimenti del figlio, 118).

       A Bíblia é a história-mãe de todas as histórias de fé. Contém um fundo icónico (de ícone) que nos ajuda a interpretar a própria existência a partir de cada acontecimento vivido individualmente ou em comunidade.

Desintoxica a tua vida espiritual em 40 dias

     «Trata-se de um fenómeno bastante recente que se generalizou. Muitas pessoas na nossa sociedade levam a cabo dietas de emagrecimento, inscrevem-se num ginásio, programam um fim-de-semana num balneário ou simplesmente realizam exercícios físicos em cada dia. Com tudo isto, pretendem conseguir um melhor tom vital, purificar o seu corpo e a sua mente para se sentir melhor.

     E se fossemos capazes de purificar-nos também das toxinas espirituais, isto é, de todos esses hábitos, recordações indesejadas, tentações e distracções, que nos impedem de desfrutar a vida como verdadeiros seguidores de Jesus e pessoas felizes e integradas espiritualmente?»

     Peter GRAYSTONE, Desintoxica tu vida en cuarenta días, Sígueme, Salamanca 2007.

A glória escondida numa coroa de espinhos

     A meditação do terceiro mistério doloroso fez-me contemplar a antítese gerada pela oferta livre de Cristo que, ao aceitar aquela coroa, experimenta o misto de sofrimento e antecipação daquela glória que Lhe estava destinada.

     Coroação de espinhos e transfiguração são ambos momentos que antecedem a via-sacra. Um aparenta dor, outro aparenta luz, mas têm na base o mesmo valor real: a Vida nova da Ressurreição.

     É, ainda, necessário atravessar esta ponte, a que chamamos via-sacra, para alcançar essa Vida. Não desanimemos! Jesus Cristo já não é só o aparentemente transfigurado, mas o Ressuscitado! Da sua transcendência deixou-nos as marcas para Lhe seguirmos o caminho.

     Percorramos cada passo da nossa “via” com uma vontade “sacra”, ou seja, com o sentimento no coração: “faça-se a Tua vontade”. A partir daqui, os ritos têm mais probabilidades de expressar este Mistério e de nos conduzir à Vida.

Faz a tua tenda!

     No monte da transfiguração, Jesus desvelou aos seus discípulos a glória que Lhe estava prometida pelo Pai. Este é um momento tão importante para a fé dos discípulos como o é para a última etapa que Jesus está para percorrer: a via-sacra para o calvário e o dom da sua vida por nós.

   Cada via-sacra tem uma meta e um ponto de partida, uma glória a atingir ― prometida pelo Pai ― e um momento inicial de luz. Cada boa acção, cada sacrifício que o crente faz em favor dos outros, é precedida por esta luz que dimana da transfiguração de Jesus. A sua decisão em dar livremente a sua vida por nós é um raio de luz que vem do alto!

     Daqui resulta a necessidade de construir, cada um, a sua “Tenda da Palavra”. A vida do cristão necessita de momentos frequentes de acesso e contemplação da luz que vem pela leitura/escuta e meditação orante da Palavra de Deus. Para isso, a Bíblia não pode estar na estante, mas num lugar bem visível, por onde passe todos os dias. Tem lugar excepcional na proclamação da Palavra na comunidade dominical, mas precisa de ser “estendida” pela semana forma, nos ambientes e nas atitudes.

     Voltamos a escutar “Transfigure us, oh Lord” de Bob Hurd.

Resolver a ambiguidade!

No primeiro domingo da Quaresma escutámos o texto das tentações de Jesus no deserto (ler Lc 4, 1-13). Riquesa, fama e domínio resumem todas as tentações pelas quais Jesus foi tentado, pelas quais os seus discípulos também passaram e às quais a história nos apresenta circunstâncias mais ou menos evidentes de a Igreja ter sido submetida.
Hoje, também são essas as nossas tentações, que correspondem ao ter, saber e poder. Estes valores não são maus nem bons. Os momentos ou circunstâncias de tentação servem para sermos postos à prova diante destes valores, ou seja, para vermos para que lado è que cai a balança: para o amor próprio ou para o amor gratuito aos outros.
Jesus, que era rico, fez-se pobre (cf. 2Cor 8,9). Por isso, na circunstância do início da sua vida pública, escolheu o “lado da balança” certo parq servir a humanidade: pobreza, humildade e seviço. A quaresma abre-nos os olhos para a realidade dos dois caminhos: o da conversão ou o da perversão.
Na verdade, só as coisas boas é que nos podem tentar, na sua ambiguidade. As coisas realmente más não nos fascinam! A tentação é ocasião de clarificar as nossas opções. Enfim, o momento de liberdade!

Estou no Google, logo existo!

Há dias, uma pessoa ao pé de mim “disparou” com esta máxima moderna que, como muitas outras, tira partido da força da antiga máxima cartesiana e revelam mais uma forma de existir.
Já não é novidade para quem costuma usar este meio de comunicação que o motor de pesquisa “Google” teve a sua aparição de forma a não terminar mais o seu sucesso no meio de tantos outros. Escrevo este post para os leitores que por aqui passarem, não directamente para fazer publicidade ao tão afamado motor de pesquisa que já me é muito útil no dia-a-dia, mas para partilhar um facto verdadeiro que e parece de grande relevo espiritual e propõe uma reflexão que me parece ser urgente na relação do testemunho de fé/evangelização e este meio de comunicação:
Como já repararam, este ousado “porto seguro” tem uma função principal que deu origem: ser também um “púlpito para escutar”. A razão de ser da perseverança neste serviço “virtual” de escuta dos dramas daqueles que utilizam este meio para procurar a solução para os seus problemas (numa percentagem que me ocupa algum tempo da semana a responder e alguma reflexão pessoal) é o facto de muitas das pessoas que “escuto” neste “púlpito” chegam até aqui através da pesquisa, no Google, da palavra “padre”. E não é uma nem duas, mais de 60% das pessoas que chegam a partilhar os seus dramas com urgência de serem atendidas.
Daqui tiro algumas conclusões, por ordem de importância:
1. Há muitas pessoas a precisar do padre como homem de Deus, a quem possam contar os seus graves problemas e de quem esperam uma resposta, no mínimo, de esprança;
2. Embora os Sacramentos não se possam celebrar através no mundo virtual, pois esta não pode substituir a presença real (cf. Igreja e a Internet, n. 9), no entanto a evangelização não pode hoje prescindir das novas tecnologias de comunicação, pois estas meritam uma espiritualidade própria, e o mundo, especialmento nas pessoas mais jovens, usa-as.
3. Este facto estatístico também revela um facto real: as pessoas procuram Deus de formas variadas. No entanto, a forma institucionalizada de acolhimento entrou em crise, ou seja, a disponibilidade dos padres para acolher as pessoas e escutar os seus problemas já não é a mesma, gerando-se uma situação onde a procura é maior do que a oferta.
4. Como escreveu o Rev. D. Ilídio Leandro, Bispo de Viseu, aos seus sacerdotes em quarta-feria de cinzas, «Há necessidade de montar “consultórios” abertos, com liberdade na agenda, no coração e no relógio.» e ainda «As pessoas têm o direito de saber os horários de atendimento e de presença do seu pároco, em lugares acessíveis e disponíveis para a marcação de serviços, para um diálogo informal, para uma direcção espiritual, para a reconciliação fora dos dias e datas previstas e para outros eventuais contactos.» (ler mensagem completa).
5. Por fim, decido que vale a pena a manter, mesmo que pago (porque isto não é um simples Blog), este serviço pastoral de escuta/aconselhamento on-line, remetendo, quanto possível, as pessoas para formas mais reais e responsabilizadoras de resolver os seus problemas.

Perfuma-te mesmo!

Escutamos, esta semana, o Kyrie, eleison da Missa Ubi Caritas, de Bob Hurd.
É proposta para alegre meditação:

Recebemos as cinzas!
Ou vamos receber ainda.
Mesmo para aqueles a quem este gesto não diz muito, é bom lembrar: «És pó e ao pó da terra hás-de voltar!» (cf. Gn 3,19b)
Muitos ainda não sairam das cinzas do pecado.
Outros, não poucos, vivem nelas como condição de rejeitados.

Estamos a poucas semanas da celebração anual do Mistério Pascal.
Esta ocasião poderá servir, não para envolvermos mais uma vez a celebração mais importante do ano com gestos tradicionalistas que obscuram o acontecimento essencial da nossa história, mas para nos apresentarmos com o que somos diante d’Aquele que de uma vez por todas já resgatou a nossa humanidade daqueles males que nos oprimem.

Perfuma-te, pois, mesmo de perfumes!… (cf. Mt 6,17)
e de obras concretas de amor, de fraternidade e justiça.

Assim, a Páscoa,
não será mais um tempo passado;
mas o Tempo Oportuno que renovará substancialmente a nossa forma de viver,
ajudando-nos uns aos outros a levantar das cinzas para a Luz admirável da Ressurreição.

Uma santa Quaresma para todos os leitores que têm a simpatia de aportar neste «porto seguro».

Razões para escolher a vida

1ª. O ser humano está todo presente desde o início da vida, quando ela é apenas embrião.
2ª. A legalização não é o caminho adequado para resolver o drama do “aborto clandestino”.
3ª. Não se trata de uma mera “despenalização”, mas sim de uma “liberalização legalizada”.
4ª. O aborto não é um direito da mulher.
5ª. O aborto não é uma questão política.
Divulgue, testemunhe a vida!

Base de Dados Bibliográfica

Já está disponível a versão 2.0 da “base de dados bibliográfica” para ser usada com o programa FileMaker Pro 7/8. Adquira na página de downloads.

A vida é sempre já

Porque a vida é Vida
No primeiro momento,
Cada instante é tempo
Para se acompanhar.

Porque quem começa
Tem direito a continuar,
Que se aceite e recomece
e nunca recusar.

Refrão: És tu, sou eu
Vivemos e sentimos
És tu, sou eu
De facto, existimos
a Vida é sempre já!…

Porque a Vida na vida
Jamais pode parar,
Porque o amor resolve
Tudo o que se tem a dar,

Que não seja indiferente
Com aquele que se sente
Lá no fundo, um olhar
Que no mundo há-de amar.

Refrão: És tu e sou eu
Desde aquele instante
És tu e sou eu
Aquele que garante:
a Vida é sempre já!…

A música para esta semana é da BANDA JOTA, que canta a vida em “Guard’a Vida”. Parabéns, Banda Jota!