O » Júlio « desafiou-me!

O desafio consiste em completar as frases.
Cá vai disto:

Eu quero: ser melhor!
Eu tenho: sede de Ti, Senhor!
Eu acho: nem sempre acho!
Eu odeio: a dispersão!
Eu sinto: -me bem!
Eu escuto: a música dos sentimentos e impressões profundos!
Eu cheiro: ao perfume que me ofereceram!
Eu imploro: a Tua Paz para o mundo!
Eu procuro: acender a minha lamparina de barro muitas vezes!
Eu arrependo-me: quando falo sem pensar três vezes!
Eu amo: Deus, a Igreja e a humanidade!
Eu sinto dor: que consigo imaginar que tu sentes!
Eu sinto a falta: do que não sinto!
Eu importo-me: …nem sempre me importo!
Eu sempre: tento não estar muito no virtual!
Eu não fico: se tu também não ficares!
Eu acredito: nas pessoas!
Eu danço: ao toque da caixa “surpresa”!
Eu canto: melhor com o coração!
Eu falho: quando me esqueço de Ti!
Eu luto: contra e a favor…!
Eu escrevo: muitas vezes o sinal de exclamação”!”
Eu ganho: sempre qualquer coisa quando arrisco!
Eu perco: sempre qualquer coisa quando não arrisco!
Eu confundo-me: idealmente com os mais simples!
Eu estou: em Roma!
Eu fico feliz: de te ver a ler este blog!
Eu tenho esperança: entre a fé e a caridade!
Eu preciso: ser mais de Ti!
Eu deveria: ser menos de mim!
Eu sou: um padre feliz!…
Eu não gosto: de escrever muitas vezes a palavra “eu”!

Com isto, já me conheces melhor!
E agora acho que tenho de passar o desafio a 6 pessoas!
As vitimas são:
1 – O primeiro lugar a quem tiver a bom vontade de participar;
2 – P. Carlos Cunha
3 – P. Helder
4 – P. Ângelo
5 – P. Filipe
6 – P. Paulo

A 7 km de Jerusalém

E se, no meio das contrariedades de uma vida aparente, fosses levado a Jerusalém “transportado” pelo desejo de encontrares uma resolução para os teus problemas e te encontrasses com o Mestre?
Este filme mostra-nos uma história assim, em jeito de romance (ver livro), com quem se repete o “caminho de Emaús” (cf. Lc 24,13-35). Neste romance, o personagem regressa à sua vida e relações com outro olhar, pensar e bater de coração, com uma missão…

Reflexão: não será que no dia-a-dia nos enontramos com o Mestre que se esconde no “momento fugaz” de uma palavra, iluminação, olhar, sentimento especial no coração, clarão na mente, não só nossos mas nos outros com quem convivemos…, enfim, num Sacramento, numa oração…?! Esse será um momento privilegiado para escutar o Mistério. No entanto, é preciso escutar. E não ter medo, porque “a contrapartida é a vida”!

O Todo num fragmento

O Evangelho deste Domingo VI da Páscoa (não esquecer que se celebra até ao Pentecostes!) convidou-nos a escutar a afirmação de Jesus: «Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e Nós viremos a ele e nele faremos morada» (Jo 14,23).
Cada sentimento, cada afecto, cada atitude, cada passo, cada olhar… que contenha este conteúdo evangélico dentro faz de nós um “fragmento” que contém a totalidade, porque é nas mais banais e concretas corcustâncias históricas e espaciais do nosso dia-a-dia que o Todo se mostra. É nas “janelas” do viver quotidiano que podemos perceber o mistério que se nos dá a conhecer: no tempo, no sorriso, na procura, na dor, na solidão, na insatisfação… (Cf. F. Imoda, Sviluppo umano, psicologia e mistero, Ed. EDB, Bologna 2005, pp. 25-48). É nestes fragmentos da nossa vida, às vezes marcada pela contingência da descontinuidade, que podemos “permanecer no amor de Deus”.

A glória de Deus…

é a kénosis* de Seu Filho!
Só a partir daqui é que «a glória de Deus é o homem vivo» (S. Ireneu). Hoje, no tradicional Dia da Mãe em Portugal, o Evangelho relaciona o mandamento do amor com o conhecimento do Pai. Contemplemos, neste dia, o amor incarnado nas nossas vidas, no qual, sejam quais forem as circunstâncias de cada pessoa, tiveram papel importante as nossas mães.
Amar significa «perder»**. Será esse o exemplo da mãe que eu mais admiro e contemplo. «Perder» os/pelos filhos, «ganhando» a felicidade deles para o projecto de Deus.
«A presença da perda é uma constante do desenvolvimento humano. Trata-se de uma perda afectiva, de segurança, e o seu grau de dramatismo depende, para além da precocidade do estádio no qual acontece, também do modo no qual ela é gerida, sobretudo por parte daqueles que se ocupam de acudir à pessoa no seu desenvolvimento»***.
Parabéns a todas as mães, pais e educadores (adoptivos, para além de carnais!) pela atenção que dão/deram sobretudo à escuta do interior dos filhos/educandos que acompanham. Como Maria, guardando tudo no seu coração e actuando de forma prudente e causativa…****
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* (Do gr. = esvaziamento). No NT, emprega-se para significar como o Verbo divino, na Encarnação, aceitou os condicionamentos duma natureza humana ferida pelo pecado, ainda por cima provada até à morte de cruz (Cf. Enciclopédia Católica Popular).
** Cf. Mt 10,39.
*** S. GUARINELLI, «L’ascolto di sé: equivoci e obiettivi», in: Tredimensioni 2 (2005), p. 270.
**** Cf. Jo 2.

O mistério humano faz-se concreto

A pessoa concreta, em cada seu modo de esistir, vive e manifesta o seu ser mistério. Tudo o que o ser humano faz, seja o bem ou o menos bem, é, no fundo, uma ou uma série de manifestações daquela pergunta, daquela luta ou daquela paixão que exprimem de vários modos, revelando-o ou atraiçoando-o, o mistério da pessoa.

O encontro com a alteridade, a temporalidade, o viver possuindo um corpo (soma), uma alma (psique) e um espírito (pneuma)* são dimensões das quais o homem não pode subtrair-se. Ali vive em forma de luta que se desenvolve com aquilo que o circunda, com uma natureza nem sempre amiga, com os outros umas vezes iguais outras vezes diversos, com um Outro que se deseja e se teme. A luta é também consigo próprio, com o seu passado, presente e futuro, com hábitos, paixões, imagens de si, dos outros ou do mundo que nem sempre estão em harmonia.
O mistério é uma realidade que o homem não pode escolher viver ou não. Pode, sim, decidir o «como» vivê-la, de forma autêntica ou não. Não respeitar este mistério é fruto de uma irresponsabilidade feita de não fazer as perguntas sempre mais profundas, contentando-se com o saber e o permanecer imaturo. Renunciar também àquela luta continuamente solicitada por aquela liberdade responsável e a fuga da temporalidade são sinais de imaturidade.
A fidelidade depende da presença do homem em ser um «meio» para a condição humana, através de um conjunto de mediações das quais depende, por sua vez, o desenvolvimento da pessoa**.
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* Cf. 1Tes 5,23.
** Cf. F. IMODA, Sviluppo umano, Psicologia e Mistero, Edizioni EDB, Bologna 2005, p. 433.

São José abre o Mês de Maio!

É bom repararmos que S. José, esposo de Maria, fica hoje associado à abertura do mês de Maio, que a Ela á dedicado.

Aqui se lembra para este mês uma sugestão que já nos é comum: enquanto trabalhamos para render os talentos que Deus nos deu e dignificarmos a nossa vida, escutemos dos nossos lábios, e de outros, essa “música de fundo” que dá alegria ao ambiente onde trabalhamos: “Avé Maria”.

(Esta semana cantam as “vozes doces” do grupo Libera)

Mistério, Mediação, Continuidade, Método…

… em alternativa a problema, ingerência, descontinuidade e desorientação. Acabámos de viver mais um Dia de Oração pelas Vocações. E a anteceder-lhe a 44ª Semana de Oração pelas Vocações. Mais uma vez a Igreja se mobilizou aqui e além, nos quatro cantos do mundo, nuns mais intensamente do que outros e com várias possibilidades culturais com a problemática das vocações de especial consagração.
Nalgumas programações pastorais a este nível já não se põe só a questão “de especial consagração”, pois começa-se a compreender que as vocações ao sacerdócio e à vida religiosa não estão em crise somente antes da crise do Matrimónio e da Família, mas também depois, ou seja: carecemos de verdadeiras famílias que sejam ambientes de vida cristã, para ao mesmo tempo serem “ninhos” de vocações.
Parece que também na pastoral da Igreja há “dimensões esquecidas”, como no acompanhamento da pessoa humana em crescimento (conferir post do dia 24 de Abril de 2007 neste Blog). A Igreja, vista durante muito tempo como hierarquia, vai sendo felizmente mais vista e vivida como comunhão, segundo a visão eclesiológica do C. Vaticano II. No entanto, muitas das suas dimensões ainda estão muito sugeitas a “dias”, “semanas” ou a “actividades de secretariado”. Não é negativo! No entanto, não basta!
Em conclusão:
A Pastoral Vocacional não é um problema a resolver, mas é um Mistério da Vida da Igreja;
Não é algo que aconteça sem mediações humanas (ingerência), mas necessita de Mediação;
Não é só uma questão de “dias”, “semanas” ou “actividades” mas exige uma Continuidade na consciência, celebração/oração e vida dos crentes durante “todos os dias”;
Não se compadece com a desorientação, pois temos um rumo certo a procurar e seguir – Jesus Cristo -, caminho, verdade e vida, aventura para a qual precisamos de um itinerário e um Método.
Os estudiosos de pastoral vocacional estão de acordo no seguinte:
«Até às portas da idade moderna e contemporânea, não foi dada suficiente importância, seja no campo exigético-teológico seja no campo pastoral, às palavras e ao convite de Jesus: “A messe é grande e os oprários são poucos; pedi, pois, ao dono da messe para que envie operários para a sua messe” (Mt 9,36-37). Em segundo lugar, considera-se adquirido que a pastoral vocacional como hoje é entendida – como organização sistemática – só no nosso tempo é que chegou a ser uma problemática…»*.
Enfim, a promoção da vocações é, em primeiro e único lugar, dever de toda e inteira Igreja: a começar pela Família – primeiríssimos educadores! -, Educadores, Sacerdotes, Párocos e Bispo Diocesano, através das obras diocesanas integradas por todos os responsáveis e coordenadas segundo a sua autoridade**.
Contemplemos continuamente, rezemos e vivamos, com método, o Mistério da Vocação que a todos nos envolve!
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* Vito MAGNO, «2000 anni di annuncio vocacionale», in: Rogate Ergo, 2007(4), p. 7.
** Cf. Código de Direito Canónico, can. 233.

Palavra de Deus em «standby»?!

Cristãos atarefados com muitas coisas (supostamente importantes!), muitas vezes escutamos a Palavra Deus com um entusiasmo relativo como que a insinuar «está bem, temos de a escutar para a nossa salvação!», em vez de a acolhermos com o grito «que bom! eis a Boa Notícia para nós, hoje» (como fonte de confronto para as não tão boas notícias que vamos vivendo ou observando). Dá impressão, passe o «midrash», que acontece com a Palavra o que costuma acentecer com o nosso computador, para nos poupar energia: depois de um certo tempo de inactividade o sistema entra em «standby» ou em «suspensão».
Contentamo-nos em escutar a Palavra e esperamos que seja o Espírito Santo a fazer o resto (fará mais do que pensamos, certamente!). Mas pergunto-me: será que mesmo contra a nossa inteligência, afectividade e vontade o Espírito Santo entra em acção?… Fica em aberto, embora ouso dizer que não!
O melhor será, como fazemos para que o sistema do computador volte a entrar em actividade, «tocar, simplesmente, numa das teclas» da nossa inteligência-afectividade-vontade para abrir caminho ao Espírito de Deus, agora, sim, operante através dessas nossas faculdades para que a Palavra de Deus alimente e frutifique nas nossas vidas.
Outras «teclas» podem ser apontadas, no enquadramento daquelas faculdades humanas: aprofundar da fé com o estudo, sentir com o coração o que professamos, traduzir a Palavra em obras concretas. Enfim, agir com qualquer das nossas faculdades em atitudes simples e concretas para «desbloquear» o «adormecimento» da nossa vida cristã por vezes tão descontínua e apática.
Passe a graça: pior que «suspender o sistema» da fé é «hiberná-lo»!… (nesta reflexão, qualquer semelhança entre a pessoa humana e o computador é pura coincidência!).
Há que acordar para o Dia: é Páscoa!

Colóquio pedagógico

O ferro aguça-se com o ferro e o ser humano afina-se no contacto com o ser humano. (Pr 27,17)
As relações sociais provocam um efeito benéfico sobre o ser humano, o qual, pelo contacto com os seus semelhantes, se vai afinando nas palavras e no comportamento.
O mistério humano faz-se concreto e revela-se nas perguntas, inquietações e ânsias que manifesta aos outros através de uma linguegem nem sempre fácil de descodificar. Por detrás dessas perguntas-inquietações-ânsias estão outras que tocam o Mistério de Deus.
O colóquio pedagógico tem por finalidade proporcionar entre o educador e o educando (tenha-se em conta a origem da palavra: e-ducere) um diálogo aberto que à manifestação das questões mais banais e concretas do dia-a-dia se façam corresponder, purificando-as, com as verdadeiras questões reveladas pela Palavra de Deus e que dão resposta directa e contreta à pessoa em crescimento.
Afinal, existe sempre uma Página do Evangelho que se destina como resposta à situação concreta de uma pessoa que busca o seu desenvolvimento!

A «dimensão esquecida»

Falando sobretudo para a formação no enquadramento do acompanhamento vocacional (o que também vale para a formação da pessoa humana em geral), a dimensão do «bem aparente», que constitui grande parte da vida cristã quotidiana, parece que seja a mais esquecida.
É mais frequente estar preocupado na formação de alguém sobre o que possa consistir um problema moral, entre a virtude e o pecado, conflito geralmente desenvolvido no âmbito do consciente (supõe-se que a pessoa tem uma consciência recta!) do que considerar aquela tal área da personalidade que é influenciada pelas forças do subconsciente e que não tem nada a ver com virtude-pecado, mas com o «jogo» que a pessoa tem de fazer no quotidiano para aproximar o bem real de que é portadora com o bem aparente que diante dos outros demonstra
*
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* Cf. Luigi M. RULLA, Antropologia della Vocazione Cristiana, 1. Basi interdisciplinari, Edizioni EDB, Bologna 1997, pp. 352-360.