O sacrifício da boa vontade

Celebramos hoje a memória de S. Francisco Xavier que, depois de ter combatido a preponderância da sua vontade ativista no tempo de estudos em Paris com a ajuda de Inácio de Loyola, deu o seu testemunho de missionário com uma boa vontade humilde. A Palavra do dia mostra-nos Jesus a multiplicar os pães e os peixes para saciar a fome da multidão. A vontade dos discípulos seria, porventura, mais voluntariosa, indo comprar pão… Jesus ilumina com uma ação que não tem origem na força humana, mas na fraqueza, onde a força divina tem lugar. Ter boa vontade não é querer fazer o impossível, pois não está ao nosso alcance; é ser humilde e confiar que Deus fará o que Lhe aprouver para solucionar o sofrimento provocado pelas nossas privações (de bem-estar, de saúde, de paz, de justiça, etc.), inspirando-nos, às vezes com a ordem ou sugestão de alguém próximo, o que devemos fazer. Ter boa vontade é subir ao monte do crédito dado à opinião dos mais sábios (não arrogantes) para colaborar no que, à partida, nos custaria fazer. [Mt 15, 29-37]

Dupla fidelidade não é duplicidade!

Ainda ontem celebrámos na Liturgia os mártires vietnamitas SS, André Dung-Lac e Companheiros. Ao mesmo tempo, assistimos, nas notícias da atualidade, aos crimes fiscais de branqueamento de capitais que mancham a hsitória política do nosso país. Sabe-se que aqueles santos mártires foram homens exemplares nos seus deveres cívicos, ao mesmo tempo em que foram fiéis no anúncio da Boa Nova.
O que fará com que alguns homens nem sequer consigam ser fiéis às leis do próprio país? Estarão desorientados do ponto de vista dos valores mais básicos da sã convivência humana? O que os terá levado a estar à frente dos destinos de uma nação? São perguntas inquietantes cuja resposta não é fácil de dar sem ferir sensibilidades.
Assim, aqui fica a proposta para reflexão: é possível ser-se fiel a Deus não correndo o risco de se ser um duplo. Ser fiel a Deus e ser cumpridor das leis de um estado dá unidade de vida, pois na vida, segundo o Criador, tudo converge para a felicidade do ser em sociedade.
O que faltará a quem não é fiel a uma boa contribuição das coisas da ordem terrena?