Ao contemplar situações de divórcio, dá-se conta de que o amor que mais educa uma criança em desenvolvimento não é o que os pais lhe têm diretamente a ela (frequentemente moeda de troca de um crescimento precoce dos filhos), mas o amor entre o seu pai e a sua mãe. O olhar de uma criança gosta de ver sempre esta reciprocidade que lhe dá segurança. É um olhar unitivo. Como o olhar de Deus. E saber que está tudo bem entre os seus pais deixa-a adormecer e acordar com confiança.

Respeitando aquelas relações que nunca foram verdadeiras uniões ─ porque nascidas em contratos de uma cultura patriarcal onde as pessoas não se pertencem ─ consideremos a revolução do amor em que a união pode ser construtivamente livre e fecunda, para (conseguir) ser indissolúvel. Vínculos matrimoniais conservadores, assentes em relações “comerciais” entre famílias, raramente foram verdadeiramente unitivos e… indissolúveis, quanto menos livres e de uma fecundidade casta, capaz de atribuir a mesma liberdade aos filhos.

O problema das fracas relações matrimoniais poderá advir de dois extremos consequentes da descrença no projeto admirável de Deus:

1º ─ Da tendência de o ser humano se colocar no princípio, no meio e no fim do projeto que é a vida;

2º ─ De não se respeitar a igual dignidade entre o homem e a mulher, como criaturas diante de Deus.

O ser humano procura uma sua semelhante para “matar” a solidão profunda que só se pode encontrar num encontro estável que confirme aquela igual dignidade na durabilidade de um projeto consistente, porque assente no amor de Deus. E quando se encontram numa relação estável que “mata” aquela solidão, como é que se pode deixar que haja algo que “mate” aquela relação?

Mais do que leis, precisam-se gestos quotidianos que cimentem o amor que quer dizer: “não quero nunca que tu morras” (“a-mors”). O contrário é a separação provocada por egoísmos…

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