A paz incómoda do Reino faz dos cristãos uns refugiados neste mundo

[Leitura] Am 5. 14-15. 21-24; Mt 8, 28-34

[Meditação] Hoje, o Evangelho e a vida da Rainha Santa Isabel ajudaram-me a refletir sobre aquela paz divina que incomoda o mundo, mas que nos faz viver os valores do Reino de Deus. Jesus resituiu a paz àqueles endemoninhados, que viviam naquela cidade numa vida certamente igualada à daqueles porcos, em “varas” de manipulação certamente não muito dignificante. Por isso, a presença de Jesus  e o anúncio da sua paz são incómodas, a pensar no insucesso mundano daqueles guardadores.

Não me sai da cabeça o prejuízo, apesar da aparente mais-valia histórica, do sedentarismo das comunidades da Igreja Católica. A vida de Jesus e a história de Santa Isabel mostram-nos que é nas encruzilhadas do caminho que acontecem as grandes coisas de Deus, muito aquém ou além dos projetos humanos. Na encruzilhada histórica em que se situa o exemplo de Santa Isabel de Portugal, o seu modo de viver não combina nada com a forma que o seu filho e neto projetavam para governar o reino, tendo necessidade de lutar por uma paz que, longe de todo o tipo de poder humano, é baseada na solidariedade e no bem-comum que dignificam a vida humana, sobretudo dos pobres maltratados pelas falsas promessas políticas.

Por isso, nunca os acordos políticos poderão dar aquela paz a que almeja o ser humano, embora possam desbravar caminhos para as condições que a ajudam a acolher de Deus. Não admira que aqueles que se manifestarem a favor dos valores evangélicos tenham sempre que receber convites a sair do espaço liderado por interesses meramente mundanos. Na verdade, os cristãos são “refugiados” num mundo que é só de passagem, pelas encruzilhadas desta vida terrena a oferecer-nos sempre oportunidades de dar testemunho do evangelho da verdadeira paz.

[Oração] Sal 49 (50); propõe-se, também, a oração da paz, no rito da comunhão:

Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos apóstolos: “deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou” (cf. Jo 14, 27). Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima vossa Igreja; dai-lhe, segundo o vosso desejo, a paz e a unidade. Vós, que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo. Ámen!

[ContemplAção] Em: twitter.com/padretojo

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